quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Fazenda 3 - Reality Show estreia bem no Ibope e com programa mais ágil




O que pode acontecer quando 15 celebridades são confinadas em uma fazenda durante três meses? A resposta está no formato de A Fazenda, baseado no programa "The Farm", criado originalmente na Suécia pela produtora Strix. A estreia da terceira temporada aconteceu nessa terça-feira (28/09), às 23h, com uma média de 20 pontos e picos de 22 pontos, deixando a Rede Record em primeiro lugar de audiência, segundo dados consolidados do Ibope na Grande São Paulo.

Para você ter uma ideia, a média total de audiência da primeira temporada registrou quase 13 horas em primeiro lugar, com 15 pontos de média e share de 23%. Já a segunda temporada alcançou apenas nove pontos de média, amargando várias vezes o terceiro lugar de audiência durante a semana por conta do sucesso da série “Sobrenatural”, no SBT, que era exibida no mesmo horário.

No programa de estreia, a produção do reality rural surpreendeu com um roteiro mais seguro e ágil. Os peões já estavam morando na fazenda um dia antes e o público pôde já acompanhar o primeiro dia dos artistas no campo. Além disso, os participantes tiveram que ir para sede da fazenda a pé, por meio de um mapa. Seria mais interessante se a produção fizesse uma corrida entre os artistas, onde o primeiro colocado seria o fazendeiro (líder) e o último estaria na roça (eliminação). #ficaadica


Outro detalhe interessante foi os nomes que encabeçam o elenco desta edição. Algumas personalidades como Monique Evans, Sergio Mallandro, Nanny People, Geyse Arruda e Tico Santa Cruz prometem muita polêmica. Um fato que merece ser destacado, foi a lista divulgada pelo jornalista e colunista do UOL @flavioricco que acertou o nome de todos os participantes com quase um mês de antecedência, furando até mesmo o pessoal do R7
– portal de notícias da Record.

» Assista na íntegra "A Fazenda 3":




Apresentado pelo jornalista Britto Jr., o reality show rural promete muitas surpresas para tentar abafar o fracasso de repercussão da segunda temporada. Uma das novidades desta edição é o prêmio final que dobrou de R$ 1 milhão para R$ 2 milhões. Além disso, um prêmio extra de R$ 500 mil em dinheiro, carros, serviços e viagens vão ser disputados pelos participantes durante o programa em uma competição surpresa. Cris Couto continua no programa, só que agora comandando algumas gincanas internas. Para a terceira edição foram escalados novos animais que darão muito trabalho aos peões, são eles: um rebanho de ovelhas francesas, um casal de cisne branco, um casal de perus, pavões, porcos malhados e a égua Xereta que pode dar à luz a um potrinho durante o programa.

Carolina Magalhães, neta do falecido político Antônio Carlos Magalhães, será a nova repórter do reality rural da Record. A modelo deve aparecer entrevistando pessoas nas ruas e repercutindo o que estiver acontecendo no confinamento. Ainda, #AFazenda3 terá a transmissão 24 horas, pelo portal R7, com exceção de algumas provas e também quando estiver ao vivo na TV. Outra novidade é “A Casa da Tapera”. Trata-se de um cômodo para abrigar os indicados à eliminação. A partir desta edição, a seleção da roça acontecerá sempre às terças-feiras e a saída de um dos participantes num programa especial nas noites de quinta-feira, e não mais aos domingos, como acontecia nas temporadas anteriores.

Em entrevista coletiva aos jornalistas em Itu – cidade do interior paulista onde ocorre a gravação do programa, algumas semanas antes de estrear A Fazenda, o diretor geral do reality, Rodrigo Carelli, já aguça a curiosidade do telespectador. “Nesta edição vamos exigir mais dos participantes. As provas e a vida na fazenda serão mais duras. O público também terá mais participação, escolhendo castigos, hora para despertar, etc. A diferença principal é que teremos participantes com diferentes níveis de fama. Tem gente muitíssimo conhecida, outras nem tanto”, explica Carelli.





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Jornalista

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Café nas Eleições 2010 – Debate da Record e as discussões políticas




Na noite desse domingo (27/09), os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) participaram do Debate Eleitoral da Rede Record, mediado pelo jornalista Celso Freitas. Apesar de conquistar o 4º lugar na audiência – com nove pontos de média, o debate da Record foi melhor no Ibope que o da Band e da RedeTV!, que conseguiram apenas três pontos. Confira abaixo algumas impressões:

Sem Confronto

Apesar de Dilma e Serra evitarem o confronto direto no Debate da Record, o presidenciável Plínio roubou a cena. Não que ele seja o novo favorito nas intenções de voto. Não é isso. O candidato do PSOL aponta o dedo na ferida e provoca os adversários, mesmo que essas provocações não sejam embasadas. Plínio nos faz refletir e ver quem é quem nessa polarização eleitoral. Ao fim, chegamos a conclusão: o eleitor está a pé.

Mais Padrão

No Twitter, não se falava em outra coisa. O público gostou da presença e da segurança de Ana Paula Padrão no Debate da Record. Muitos internautas sugeriram a jornalista para apresentar o debate no lugar de Celso Freitas, num possível segundo turno. Em algumas horas, Celso se mostrava um pouco engessado e desconfortável no papel de mediador. Um momento impagável foi quando Plínio deixou o âncora do Jornal da Record totalmente sem graça por um erro do tempo da produção. “Apagou o negócio lá! Foi a imprensa! Aplausos aí gente!”, disse Plínio.


» Assista na íntegra do Debate da Record:




Último confronto

O dia 30 de setembro - data que põe fim à veiculação da propaganda eleitoral na TV e no rádio, foi escolhido pela Rede Globo para a realização do último debate eleitoral, sob a mediação do jornalista @realwbonner. Em 2006, o debate realizado pela emissora, no primeiro turno, conseguiu 39 pontos de audiência, segundo o Ibope. Esse último confronto entre os presidenciáveis antes das urnas, historicamente, pode ser decisivo para que o eleitor possa avaliar em qual candidato irá depositar o seu voto. Vale a pena conferir!


Consciência política
Aproveitando a deixa dessa última semana de campanha eleitoral, o @cafecnoticias pede para que você se una a campanha: “Diga não ao menos pior”. Isso mesmo! Se você não sentiu segurança nas propostas de determinado candidato, vote nulo ou vote em branco, mas “não vote no menos pior”. Você contrataria um funcionária “menos pior”? Na hora de votar, lembre-se que você está contratando um funcionário para os próximos quatro anos. Pesquise, vote e pense. O futuro do país está em suas mãos! #diganãoaomenospior

Causa e efeito
Que o horário eleitoral – em sua maior parte, já virou motivo de chacota por conta de alguns candidatos, todo mundo já sabe. Mas um candidato tem chamado atenção pelo humor infantil, mas que não tem nada de inocente. Estamos falando de Tiririca, humorista conhecido pelo público que, segundo o Ibope, vai ser eleito com mais de 900 mil votos. Pode ser um voto de protesto, mas é preciso ficar atento: pode ficar pior do que já está. Veja a charge do Maurício Ricardo e reflita:





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Wander Veroni
Jornalista

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sábado, 25 de setembro de 2010

Ponto de Vista – Escrito nas Estrelas resgata o telespectador das 18h




Missão cumprida. Essa é a impressão que o telespectador fica, ao ver todos esses meses de exibição de Escrito nas Estrelas. Um trabalho primoroso, com um texto sensível, elenco afinado e uma direção caprichada. Claro, a trama teve alguns pontos negativos, como a barriga de algumas partes da história. Mas, no final, o saldo é mais positivo do que negativo. A trama resgatou o telespectador das 18h que voltou a sentir prazer em acompanhar uma novela nesta faixa de horário.

No ano do centenário de vida do médium Chico Xavier, a Rede Globo resolveu apostar novamente em um folhetim com a temática espírita. Escrito nas Estrelas chegou ao fim no dia 24 de setembro. A novela abordou, de forma humana e reflexiva, a importância do perdão e o amor além da vida terrena. O último capítulo da novela registrou recorde de audiência, segundo do Ibope da Grande São Paulo. A trama espírita de Elizabeth Jhin marcou média de 33 pontos com pico de 40. O recorde anterior foi registrado em julho, quando a trama havia marcado 32 pontos no Ibope.

Escrito nas Estrelas pegou um horário complicado, onde as novelas que a antecederam não foram bem no quesito audiência, muito menos em repercussão. Além disso, Elizabeth Jhin tinha a missão de contar uma história contemporânea - no melhor estilo Cinderela moderna, onde a temática espírita fosse apenas um pano de fundo para falar sobre questões mais amplas como o perdão, amor e laços familiares. Em declaração à imprensa, a autora prometeu uma trilogia de novelas espíritas, o que promete ser um novo filão de folhetins para o horário que, durante um tempo, se especializou em novelas de época e remakes.

No início da novela, o público torcia pelo amor além da vida de Daniel e Viviane. Mas, na verdade, o filho do médico foi um elo importante para que uma história de amor através dos tempos pudesse ser revivida. A grande mensagem da novela, se pararmos para pensar, estava concentrada no médico Ricardo Aguilar, interpretado por Humberto Martins, pois todas as personagens principais estavam ligadas a ele pelo perdão. Ricardo tinha muito forte na história à missão de ter que aprender a perdoar as pessoas em que ele tanto amou durante a vida. Além disso, a trama trouxe para o debate o tema “espírita”, mostrando que a vida é infinita e que nos somos o reflexo dos nossos atos e o quanto elas interferem na nossa vida.

Um destaque de Escrito nas Estrelas foi para atuação da atriz Nathália Dill – nova heroína dos folhetins das seis, que encontrou o tom da personagem Viviane/Vitória de uma maneira que passava bastante sinceridade. Uma salva de palmas especial vai para a atriz Suzana Faini – que interpretou a governanta Antônia, roubando a cena pela emoção e verdade da sua interpretação. Outro ponto alto da trama foram os vilões. Eles eram atrapalhados e, em meio às armações e intrigas que nunca davam certo, seguraram com competência algumas das cenas mais hilárias da novela. Gilmar, Sofia e Beatriz pareciam vilões de desenhos animados, daqueles que nos fazem rir pela ignorância de achar que o mundo está aos pés deles – e, na mais pura verdade, nunca esteve.

No final da novela, Sofia e Beatriz encontraram outro milionário para “sugar”. Gilmar que havia fugido para uma ilha no Caribe acabou sendo engolido por um tubarão e, provavelmente, ninguém sentirá a falta dele – desfecho, por sinal, inusitado. Ricardo perdoou Viviane e o melhor amigo Vicente. O casal que já havia tido uma história de amor em Toledo, na Espanha, pôde, finalmente, viver felizes para sempre. Ah, e Daniel, após aceitar a missão de unir novamente Valetina e Pedro Cassiano, reencarnará como filho dos de Ricardo e Viviane. Foi um final emocionante e cheio de mensagens espirituais importantes. A novela vai fazer falta! Com certeza, vale a pena ver de novo.

» Assista, na íntegra, o capítulo final de Escrito nas Estrelas:




» Assista abaixo um clipe de “Escrito nas Estrelas” feito pelo internauta @drico14:





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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar
artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.





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Wander Veroni
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Café Literário – Livro resgata o suspense através do misticismo




Uma mistura de misticismo, suspense e ação. Esses são ingredientes do livro O Enigma do Fogo Sagrado, do autor Hermes Lourenço, pela Editora Novo Século. A trama começa contando a história do investigador Nicolas Flynth que busca solucionar grandes desvios de dinheiro que acontecem em notáveis sedes governamentais espalhadas pelo mundo. Durante as investigações, Nicolas descobre a Irmandade da Rosa Branca e passa a travar uma batalha contra correntes religiosas.

A única pista inicial deixada em todos os crimes é uma rosa branca, com um laço de fita azul, pouco abaixo das sépalas, pregado com um percevejo. Ao iniciar a investigação, Flynth se depara com essa misteriosa irmandade, localizada em uma ilha do Delta Tigre, na Argentina. O grupo é liderado apenas por mulheres, que detêm um segredo, que nada mais é do que um pergaminho que está além da compreensão tecnológica de nossa época. O pergaminho está diretamente ligado a segredos e revelações deixadas por Jesus Cristo que conduzirá o investigador a enigmas e mistérios ainda maiores.

Medalha de Bronze no I Concurso Nacional de Literatura Arti-Manhas – 2007, Prêmio Luís António Pimentel, Hermes Lourenço é médico e escritor. Ele nasceu em 1973, na cidade de Itapeva, no interior do Estado de São Paulo, onde viveu grande parte da infância. Atualmente, é radicado em Belo Horizonte há mais de 20 anos. Também é autor-editor do livro Medicina e Parapsicologia - uma união fundamental e do livro Porto Calvário, publicado em 2005, pela Editora Sotese-RJ.

Além disso, possui diversas publicações premiadas em antologias, das quais a de maior destaque é o Navio Fantasma, publicado na antologia Outras Águas, da Edições Agiraldo, e na antologia de poesias contos e crônicas da All Print Editora, especial para XIV Bienal do Livro – RJ, com o conto O Lago.

Lourenço foi agraciado com Diploma de Honra ao Mérito Prof. Edison Oliveira Martho, pela cidade de Itapeva- SP, conforme projeto de decreto legislativo, da Câmara Municipal de Itapeva. Atualmente vive na cidade de Belo Horizonte, ao lado de esposa e filhos, onde exerce sua profissão de médico e dá vazão à sua criatividade literária. Nesta terça-feira, dia 21 de setembro, acontece um coquetel de lançamento do livro, às 19 horas, no Café com Letras, na rua Antônio de Albuquerque, 781, no bairro Savassi, em Belo Horizonte (MG). Não perca!!!





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Wander Veroni
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sábado, 18 de setembro de 2010

Ponto de Vista – 60 anos de TV no Brasil: para aonde vamos?


Há exatos 60 anos atrás, no dia 18 de setembro, a “janela eletrônica de fábrica de sonhos” começava a funcionar no Brasil. Graças a uma iniciativa pioneira – e porque não dizer um pouco atrapalhada, de Assis Chateaubriand, dono do grupo Diários Associados, um pouquíssimo número de brasileiros assistiam a primeira transmissão da TV Tupi, de São Paulo.

De lá para cá, muita coisa mudou. Hoje, não temos mais aparelhos em preto e branco, nem precisamos improvisar uma antena com uma esponja de aço para melhorar a recepção da imagem. A tecnologia permitiu que os aparelhos ficassem cada vez mais finos, práticos e convergentes. Temos uma infinidade de canais na TV aberta e Paga, sem contar nas Web TVs, que ganham força pela internet.

Apesar do grande salto tecnológico, a TV brasileira vive hoje a sua pior crise de criatividade dos últimos tempos. O formato das atrações são importadas de outros países ou, literalmente, copiados. Ninguém quer mais ousar. Os dirigentes das TVs não querem mais criar algo diferente com identidade editorial e que tenha, acima de tudo, proposta e qualidade.

Está tudo mais pasteurizado e igual – o que é muito ruim, diga-se de passagem. A TV hoje é regida pela audiência e no possível faturamento comercial que um programa possa ter. A qualidade e o respeito com o público viraram artigo de luxo, praticamente não existem.

Por conta da ausência de criatividade e do respeito ao público, boa parte dos telespectadores migraram para a internet. Mas antes que os apocalípticos de plantão falem algo: não, a TV nunca vai acabar. O audiovisual está com muito mais força, inclusiva na web. O grande problema das TVs é ousar. Criar opções e, acima de tudo, precisam ouvir mais o telespectador. E ouvir não significa, necessariamente, aceitar. Mas, pelo menos, refletir se o caminho que é percorrido está agradando ou não.

Seis décadas de TV no Brasil, o que temos para comemorar? Da parte tecnológica, muita coisa. Mas, da parte criativa, de produção de conteúdo, muito pouco. Uma ou outra coisa salva. A primeira década dos anos 2000 mostrou ao público o precipício que a TV aberta entrou e, do qual, dificilmente, irá sair. Ainda não temos uma TV Nacional, nem uma TV Pública, que fale claramente para o público de várias partes do país e que permita a regionalidade cultural de cada Estado.

A medição da audiência, do jeito que está, não diz o que o público brasileiro pensa, mas sim uma pequena parte dos telespectadores de São Paulo e Rio de Janeiro. Com tanta tecnologia que existe por aí, é impensável continuarmos desse jeito. O Brasil não são só dois estados do Sudeste.

Será que é possível mudar o modelo atual que valoriza o sensacionalismo e a imbecialidade? Quem sabe. Infelizmente, jornalistas, roteiristas, produtores e diretores estão com as mãos atadas. Somente um “furacão”, para que esse modelo do “vale tudo por audiência” caia por terra, e outro, mais comprometido com a informação e o entretenimento de qualidade possa então ser praticado. O problema não está apenas na escolha do telespectador, no controle remoto. Mas sim, na produção, que é a raiz da TV. Chega de tratar o público como idiota!

» Ouça, abaixo, a entrevista feita pelo jornalista José Armando Vannucci, da Rádio Jovem Pan, com o professor e pesquisador de TV, Laurindo Leal Filho:








» Assista na íntegra o programa 'Happy Hour', que comemorou os 60 anos da TV brasileira com Hebe Camargo:



» Assista "a aula" sobre TV brasileira com o Boni, ex-diretor da TV Globo, que foi entrevistado pelo Roda Vida, da TV Cultura:




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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar
artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.






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Wander Veroni
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Reportagem Especial - O mundo da moda invade a TV




Estilo, tendência, elegância e bem estar. Essas são algumas características do universo fashion que, dê uns tempos para cá, resolveu invadir a televisão. Seja em programas, novelas, filmes ou reality shows, o mundo da moda pode render muito pano para a manga, além de um interessante fôlego comercial para a área do entretenimento. Em julho deste ano, a Rede Globo resolveu apostar no remake da telenovela TiTiTi, sucesso da década de 1980, de Cassiano Gabus Mendes, cuja a adaptação atual é de Maria Adelaide Amaral e direção de Jorge Fernando.

Entre agulhas e tesouradas, o folhetim exibido às 19h, explora a rivalidade de dois estilistas: Jacques Lequer e Victor Valentim – vividos por Alexandre Borges e Murilo Benício, respectivamente, além dos bastidores da agência de modelos “Lugar Models” e da fictícia revista “Moda Brasil”. É dentro deste universo que acontece lançamentos de produtos, eventos e aonde a maioria do elenco aproveita para desfilar os figurinos que se destacam no momento, como aponta a personal stylist Cláudia Magalhães, que trabalha como consultora de moda e estilo para personalidades, empresários e políticos.
“Apesar de a novela ter uma pegada de humor muito forte, o mundo da moda está retratado ali, não há como negar. Desse modo, o telespectador cria identificação com figurinos como o da Malu Mader, da Claudia Raia, da Guilhermina Guinle, entre outras. Acredito que a TV funciona como uma vitrine para as principais tendências do momento”, diz a personal stylist Cláudia.

Fora do eixo do Plim-Plim, outras emissoras também apostam no mundo fashion para alavancar a audiência, como é o caso do quadro “A verdadeira Idade”, do programa Tudo é Possível, da Rede Record, comandado por Ana Hickman. Lá, todo domingo, uma participante passa por uma verdadeira transformação que envolve não só a parte estética, mas também do visual, onde ela recebe uma consultoria de estilo e imagem, com o intuito de que de não aparentar ser mais velha do que é e possa assumir a idade numa boa.

Outra atração que tem se destacado na TV aberta é o reality show Esquadrão da Moda, no SBT. Do formato original do programa “What Not to Wear” dos canais “Discovery Home & Health” e “BBC”, no Brasil ele apresentado pela top model e consultora de moda Isabella Fiorentino e pelo estilista Arlindo Grund, que tem a dura missão de ensinar às "vítimas" como se vestir bem e com estilo. Em Minas Gerais, o programa local e vespertino da TV Band Minas, Tudo de Bom, da jornalista Bianca Lage, se destaca por se especializar na cobertura de eventos de moda como Minas Trand Preview, São Paulo Fashion Week e Rio Fasion Week.

Para a estudante de jornalismo Najela Bruck, 23 anos, autora do blog mineiro Não é só Glamour – um espaço na internet dedicado a cobertura fashion e a editoriais de estilo, moda e comportamento, acredita que, de certa forma, a TV aberta confunde moda com futilidade. De acordo com Najela, alguns programas que falam de moda na televisão querem impor ao telespectador determinadas tendências ou estilos, ignorando muitas vezes o gosto e as particularidades de cada pessoa.

"O que percebo é que muitos programas como o Esquadrão da Moda querem impor ao participante uma moda e/ou estilo que não condiz com o da pessoa. O exemplo clássico foi o da cantora Stephanie – a do Crossfox. A produção do programa e apresentadores queriam a todo custo cortar os cabelos da menina, pois falavam que estaria mais na moda, ela bateu o pé e disse que não queria. Rolou maior confusão, o programa demorou para ir ao ar. Acho que em casos assim, onde não se respeita o gosto e estilo da pessoa, há realmente uma imposição, querendo que a pessoa aceite aquilo como certo e esqueça o resto”, diz Nagela.

Ainda, a blogueira e estudante de jornalismo aponta algumas atrações que, segundo ela, são programas televisivos que conseguem tratar a moda de maneira mais informativa para as pessoas. “Penso que dicas e conselhos são sempre bem vindos, afinal você irá apenas sugerir, deixando que a própria pessoa tenha o dissernimento para absorver o que será bom ou ruim para ela. No mais, gosto muito do quadro da Glória Kalil, no Fantástico. Ela, de uma maneira simples e objetiva, consegue falar para diversos públicos e passar informação com clareza. Outro programa bastante interessante é o Project Runway, na TV Paga, comandado pela top Heidi Klum. No reality, jovens estilistas disputam um prêmio mais interessante: um editorial de moda roupas assinadas pelo vencedor em uma grande revista de moda norte americana”, explica.


Segmentação

E por falar em TV Paga, foi na segmentação de alguns canais que o telespectador ávido pelo mundo da moda encontrou várias opções, seja produção estrangeiras ou nacionais. Nas principais operadoras brasileiras, é quase impossível não encontrar canais como o GNT, Fashion TV, Viva, Discovery Home Health, Discovery Travel & Living e Fox Life, voltados exclusivamente ao público feminino ou que gosta de assuntos ligados a moda, beleza, cultura, gastronomia e comportamento.

Dentre todos esses canais, um se destaca entre o público. Trata-se do Viva que, com cerca de três meses no ar, é ao lado do GNT, um dos canais mais assistidos pelo público feminino, de acordo com o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro. O Viva, que reprisa os melhores momentos da programação da TV Globo e do GNT, já ocupa o 16º lugar entre os canais pagos, mesmo estando disponível apenas em 30% da base de pesquisa do Ibope. O sucesso dele pode ser verificado nas cotas de patrocínio vendidas no primeiro mês de atividade, gerando uma receita de R$ 9 milhões aos cofres da Globosat.

“O GNT atrai as mulheres de 25 a 49 anos, geralmente independentes e que tem interesses múltiplos, como trabalhar, namorar, estudar e cuidar da própria família. Já o Viva é direcionado às mulheres das classes B e C, formados, principalmente, por donas de casa”, diz Alberto Pecegueiro. Já a diretora do canal, Letícia Muhana, explica que o Viva “foi pensado de uma forma linear para facilitar a compreensão de todos e fidelizar o público. A reapresentação dos programas da Rede Globo em horários e dias alternativos faz parte da estratégia de proporcionar à família a oportunidade de ver e rever seus programas, minisséries e novelas favoritos”.

Fã assumida do GNT e viciada em programas de moda na TV Paga, a estudante de jornalismo, Paula Loureiro, 23 anos, diz que o canal possui a melhor seleção de programas sobre moda, além de cobrir de forma jornalística os principais eventos do tema. “De uma maneira geral, posso dizer que tenho um canal inteiro favorito: o GNT. A programação é toda recheada sobre moda, com programas nacionais e internacionais, com profissionais de renome. Não tem nenhum canal na TV que fale de moda como o GNT. Meu programa favorito é o GNT Fashion, apresentado pela Lilian Pacce. Mas assisto também ao Fashion Television, Super Bonita, Tamanho Único. Inclusive o Tamanho Único é um programa que pode ser visto por leigos e especialistas em moda”, comenta.




» Confira essa reportagem na íntegra na edição nº 15 da Revista Vox Objetiva.




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Wander Veroni
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ponto de Vista – Se vale a pena ver de novo, porque o público não escolhe?




Uma chance de rever uma novela de sucesso e que conquistou o coração do telespectador. Essa é a proposta do Vale a Pena Ver de Novo, exibido nas tardes da Rede Globo, de segunda a sexta-feira, há mais de 25 anos. Curiosamente, a emissora carioca contraria uma tendência que tem ganhado as redes sociais: deixar o público decidir qual atração gostaria de rever. Muitas vezes, a escolha – para quem está de fora, parece sem sentido, pois nem sempre a novela em questão foi um sucesso de audiência, repercussão ou crítica.

Curiosamente, a Globo optou por reprisar (a partir do dia 12/09) a novela Sete Pecados, escrita por Walcyr Carrasco e que passou há exatos três anos atrás. A trama teve problemas na audiência e sofreu mudanças para atender a expectativa do público. Não foi um “grande sucesso”como o locutor anuncia e, alguns críticos, arriscam dizer que foi uma das piores tramas do autor.

A pergunta que não quer calar: qual é o critério que a Globo usa para reprisar uma novela? Sorteio? Facilidade para conseguir junto ao governo a classificação livre? Depois de uma maré de mesmice, o “Vale a Pena” tinha encontrado um rumo interessante com as reprises de Da Cor do Pecado, Mulheres Apaixonadas, Alma Gêmea e Senhora do Destino. Mas aí veio a insossa Sinhá Moça e agora uma novela que o público – pelo menos a grande maioria, nem sonhava com a reprise, pelo menos agora.

Na internet, os noveleiros de plantão torcem pela reprise de O Clone, Belíssima, Celebridade, Estrela Guia, O Beijo do Vampiro, A Favorita, Cobras e Lagartos, Um anjo caiu do Céu, sem contar em outros títulos da década de 1990 que mereciam ser reprisados. Qual é a graça de rever uma novela que passou há menos de cinco anos atrás e não foi um grande sucesso? Escolhas equivocadas como essa, mostram o buraco que a TV aberta está cavando, do qual será difícil sair.

A TV precisa ouvir mais o público: prestar mais atenção nas pessoas, e não nos números de audiência. Não é a toa que o canal Viva, na TV Paga, já nasceu embalado pelo sucesso das reprises – apesar das inúmeras críticas quanto ao horário dessas repetições. No mais, se pararmos para pensar, não são apenas as novelas que merecem ser reprisadas: programas, jornalísticos, séries, minisséries e filmes também deveriam entrar na roda. A TV aberta investe pouco nas reprises. Já pensou que bom seria se o horário vespertino fosse de reprises das principais atrações do horário nobre, por exemplo? Não deixa de ser uma ideia, quem sabe. Afinal, daqui a pouco, do jeito que a coisa anda, vai ficar difícil saber qual será a atração que, realmente, valha a pena ver de novo.



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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar
artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.





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Wander Veroni
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jornalismo 2.0 é tema de curso do Comunique-se




Novas maneiras de pensar a notícia de forma convergente para a internet e, principalmente, estabelecer um diálogo constante entre o produtor de conteúdo e o leitor. Esse foi um dos inúmeros debates propostos pelo curso de Jornalismo 2.0 – Hipermídia e Redes Sociais, ministrado pelo jornalista André Rosa, nos dias 11 e 12 de setembro, em Belo Horizonte (MG), pela Escola de Comunicação do Comunique-se.

O conteúdo do encontro abrange práticas de redação, mídias sociais e debates sobre as questões técnicas que envolvem a produção de conteúdo online, além de questões ligadas à escrita na internet e, principalmente, conceitos relacionados a redes sociais. Durante o encontro, fica claro o novo papel do jornalista: ele é um organizador de conteúdo informativo e criativo, diante de uma infinidade de possibilidades oferecidas pelo texto, foto, áudio e vídeo.

O ministrante do curso é o jornalista @andremarmota, formado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero, que ministra esta oficina, desde 2003, no Comunique-se e em outras instituições. André foi subeditor do site Gazeta Esportiva.Net, onde trabalhou por nove anos. Por outros dois anos, foi gerente de conteúdo do Portal Comunique-se. Atualmente, é professor da UniSant’Anna no curso de Comunicação Social.

O mais bacana do curso é o network que esse tipo de encontro proporciona, além do debate e a troca de impressões entre jornalistas sobre as mais diversas possibilidades que a web e as mídias sociais podem oferecer ao profissional. No curso, os participantes puderam ver experiências e possíveis caminhos que o jornalismo produzido para a internet tem tomado no decorrer dos anos e, sobretudo, para qual caminho, possivelmente, irá perante as novas conjunturas atuais com os smartphones e tablets, por exemplo. Será que o jornalismo na web vai ficar refém da transposição do modelo impresso ou finalmente encontrará um modelo próprio?

O encontro abordou ainda a força das redes sociais e a importância da colaboração dos internautas no decorrer da construção da notícia. Hoje em dia, é impossível pensar em jornalismo na internet sem que haja interação entre produtor e leitor.

Outro ponto abordado foram alguns caminhos importantes que devem ser levados em conta para a produção de conteúdo na web, tais como: táticas de SEO, distribuição de conteúdo por RSS e presença em redes sociais, como Orkut, Twitter e Facebook, principalmente, por serem as principais redes de relacionamento onde há a presença do internauta brasileiro. Particularmente, gostei muito do curso e recomendo a todos os jornalistas e comunicadores que se interessam pelo mundo da web 2.0.





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Wander Veroni
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Café Convidado - Marcas políticas: o que elas têm a nos ensinar?


Por Eduardo Przybylski*


Em períodos eleitorais passamos a notar com mais frequência o gigantesco trabalho de marca e comunicação desenvolvido pelos partidos políticos. As siglas e símbolos de PT, PSDB, PMDB, PV, PSTU e tantas outras, ganham evidência e nos fazem refletir sobre seus conteúdos e comportamentos.

É válido notar que as cores e tipografias refletem fielmente a ideologia de cada partido, mostrando que no universo do design nada é aleatório, sem propósito. A marca de cada um vem carregada de conceitos e valores que são transmitidos aos eleitores de forma a angariar cada vez mais adeptos.

Em especial com as transformações ocorridas nos últimos tempos em relação à lei eleitoral - que cerceou e muito o uso de ferramentas de marketing promocional - as marcas tornaram-se o principal elo de comunicação entre partidos e eleitores. Elas são o chamariz do público para a exposição mais ampla de suas idéias - hoje disponíveis maciçamente na internet e nas chamadas mídias sociais.

Talvez o ponto mais interessante a ser notado no comportamento das marcas políticas é a maneira explícita em que são apresentadas e defendidas suas ideologias. Basta acompanhar um debate informal entre militantes para notar a veemência com que as idéias são defendidas. Não é para menos que em alguns momentos percebemos ânimos exaltados e discussões acaloradas.

Esse comportamento se deve à maneira como as marcas se comportam, mostrando de forma bastante objetiva o que as pessoas ganhariam ao serem partidárias dos mesmos ideais. Em outras palavras, o partido ou candidato que se elege é aquele que expôs as propostas, identificou os problemas e apontou soluções mais próximas da realidade das pessoas.

Estes ensinamentos podem muito bem ser aplicados ao universo das marcas privadas. Identificar um nicho, um público, e dialogar com ele de modo claro e enfático parece a melhor maneira de desenvolver e oferecer exatamente o que ele precisa. Enxergar suas reais necessidades e propor algo dentro das suas expectativas é o que todas as marcas devem buscar.
Assim como os políticos, as marcas também devem ser carregadas de promessas. Elas significam que haverá um benefício em troca da confiança de ter sido escolhida. É a vantagem obtida pelo consumidor que optou pela marca X e não pela Y no ato da compra.

Entretanto, promessas devem ser cumpridas. Se ao depositar a confiança, o consumidor ou eleitor notar que não foi atendido à contento, sua principal resposta será a de não optar mais por um candidato ou produto/serviço que não honrou com sua palavra. Neste contexto, só prometa o que tem certeza que poderá cumprir.

Em contrapartida, se este ciclo de confiança não for zelado, o benefício principal será a fidelização e, principalmente a propagação de suas benfeitorias. Algo que, infelizmente tem sido cada vez mais raro na política.


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Autor*: Eduardo Przybylski é designer de informação da dBrain, agência especializada em marketing de canais. Contatos: eduardo@dbrain.com.br / http://www.dbrain.com.br








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Wander Veroni
Jornalista

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ponto de Vista – Fórmulas prontas nem sempre são garantias de sucesso




A receita, aparentemente, é bem simples: comprar um formato consagrado em vários países e fazer a adaptação para o Brasil. Garantia de sucesso e respaldo de uma produção que já conhece todas as etapas de pré e pós produção. Para quê quebrar a cabeça com novas atrações? A chance de dar certo é bem maior do que de dar errado. Será? Neste segundo semestre, as principais emissoras da TV aberta resolveram apostar nesse filão como forma de dar um novo gás à audiência e o resultado ainda deixou muito a desejar em alguns aspectos.

É difícil avaliar se o público de realitys e games show saturaram. O fato é que está cada vez mais evidente é que as TVs estão cada vez menos preocupadas com o que o público pensa ou quer. Contanto que o programa em si tenha bom faturamento comercial, quem se importa com a audiência? De longe, é essa impressão que o telespectador fica, o que é muito ruim, para falar a verdade.

Gosto de reality e game show. Dependendo do formato, são programas universais. Exploram a competição, o drama, a torcida e podem ser comercializados em várias plataformas, como TV, rádio, celular, internet e mídia impressa. Foram os realitys que mais abusaram do conceito de transmídia, principalmente o Big Brother Brasil.

Mas, confesso que estou perdendo a minha paciência com a TV aberta comercial. A falta de respeito com o telespectador, tanto em qualidade, quanto com o que é oferecido – o que já foi milhares de vezes debatidos aqui e em outros tantos espaços, tem me afastado dos realitys e games na televisão.

Confesso que tentei assistir o “Busão do Brasil”, mas o programa não tem um horário fixo na Band. Na internet – pelo menos no site da Band, só é possível assistir trechos e nunca o programa todos. O “Hipertensão” passa muito tarde. Para quem acorda cedo já é rifado logo de cara. Além do mais, o programa começou outro dia e ainda não é possível avaliar o quanto essa nova proposta sob o comando da jornalista Glenda Kozlowski ficou ou não interessante.

No final de setembro, a Record promete estrear o “A Fazenda 3”. Pelo que já anda pipocando na mídia, o elenco de participantes parece ser o mais interesse de todas as temporadas e a produção parece que caiu a ficha para a importância do fator “novidade” para que o programa emplaque. Mas, quando falamos em Record, fica difícil avaliar porque a emissora é campeã da grade instável. Façam as suas apostas por quantos horários diferentes a Fazenda vai passar?

Na contramão dos realitys, temos o game “Topa ou não Topa”, no SBT, que reestreou sob o comando do Roberto Justus sendo uma opção interessante para quem quer fugir do futebol às quartas. Já a RedeTV! estreou o “Último Passageiro”, com Mário Frias, que lembra muito aquelas gincanas que o SBT fazia na década de 1990. Ou seja, nada de novo: só o mais do mesmo repaginado.

Ao avaliarmos os programas, o fato é que eles são opções interessantes e ainda podem ter sobrevida por alguns anos. Mas, por quanto tempo? Entretanto, falta das emissoras de TV mais jogo de cintura e ouvir o público a respeito do horário em que as atrações vão ao ar e, principalmente, convidar o público a fazer parte da atração em si. Com a força das redes sociais que temos hoje, é impossível pensar em TV de uma forma passiva entre produtores e público. O elo precisa ser fortalecido, pois a TV que conhecemos hoje está cada vez mais perto do fim.




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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar
artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.





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Wander Veroni
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Cura – Série debate medicina e curandeirismo



Uma trama cercada de mistérios por todos os lados. Essa é uma das possíveis definições quando se fala na série A Cura, que estreou no dia 10 de agosto, na Rede Globo. O telespectador se sente convidado a entrar em universo cheio de segredos, marcado pelo regionalismo de uma típica cidade do interior de Minas Gerais. Talvez, um dos textos mais seguros já propostos na TV sobre misticismo. Mas a história em si tem uma pegada muito forte marcada pela dor e injustiça, que nos faz avaliar a história do Brasil através dos tempos.

Com direção de Ricardo Waddington e escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, a produção é ambientada na cidade mineira de Diamantina, resgatando um pouco do misticismo da cultura brasileira, além de provocar o debate sobre a espiritualidade, no ano do centenário de Chico Xavier. O primeiro capítulo marcou 20 pontos no Ibope da Grande São Paulo e priorizou belas tomadas de Diamantina, em cenas que revezaram com a outra parte da história ambientada no século XVIII.

O que chama a atenção em A Cura é o fato da série abordar duas narrativas temporais distintas que se complementam. A primeira é a contemporânea, onde se passa a trajetória do jovem médico Dimas Bevilláqua, vivido pelo ator Selton Mello. Ele teria o dom da cura de doentes, mas ficou traumatizado após ser acusado pela morte de um colega em um caso mal explicado. Já a segunda narrativa se passa no século XVIII, contando a vida do minerador sem escrúpulos, Silvério (Carmo Dalla Vecchia), que faz parte dos antepassados de Dimas.

Na época da exploração do ouro e de diamantes, Silvério conquistava seus objetivos à base de muita crueldade. Certa vez, após exterminar uma tribo indígena, um pajé o amaldiçoou com uma bebida que o deixaria com feridas por todo corpo. O destino de Silvério é viver com a dor até os seus últimos dias. Entretanto, o minerador desconta o seu sofrimento em maldades com os outros, além de uma busca pessoal pela própria cura.

“Sempre quis fazer a história de um curandeiro. A medicina popular me fascina. A Cura um ajuste de contas através dos séculos, uma trajetória cármica”, diz João Emanuel. “A saga do século XVIII ajuda a entender elementos do presente. A trama é bem brasileira e enaltece a crônica da cidade do interior”, conta Marcos Bernstein, referindo-se à Diamantina (MG), cidade onde se desenrola o seriado.

A Cura marca a volta de João Emanuel Carneiro como autor principal, depois do sucesso da telenovela A Favorita (2008). João mostra ao público novamente que o suspense em seus textos tornou-se uma referência importante que o diferencia dos demais roteiristas. Com um roteiro bastante seguro, dinâmico, e trabalhando em duas frentes temporais, A Cura mostra que a TV brasileira está redescobrindo o filão das séries dramáticas e, ao mesmo tempo, valorizando a cultura regional.

O seriado foi uma grata surpresa neste segundo semestre. Principalmente, porque trouxe à TV um elenco bem afinado, como pouco se vê. Os destaques ficam por conta da fofoqueira da cidade, Nonoca (Eunice Bráulio), dona de uma loja de lembrancinhas turísticas, que é um personagem chave para contextualizar o público sobre o desenrolar da história, cuja pegada popular dá leveza à trama.

Também temos a louca da cidade Edelweiss (Ines Peixoto - integrante do Grupo Galpão), outra personagem importante para que Dimas perceba o dom da cura, além de servir como ponto de partida para trazer lucidez aos outros mistérios apresentados. E, por último, a merecida ascensão na carreira da atriz Andrea Horta, que vive a médica legista Rosângela Guedes, par romântico de Dimas. Enfim, nota 10 para toda equipe pela qualidade e singularidade do trabalho.

No mais, é impossível negar que o suspense em A Cura faz o público entrar em um universo sombrio onde nem tudo é o que parece ser. O mais bacana é poder mergulhar em segredos obscuros de uma sociedade marcada pelo mistério e histórias mal resolvidas através dos tempos. Interessou pela série e não teve tempo de assistir? O canalhdbr disponibilizou no YouTube a primeira temporada completa e em alta definição (HD). Assista o primeiro episódio abaixo:






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Wander Veroni
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Café Literário - O drama da esquizofrenia contado por um pai



A esquizofrenia é uma doença mental caracterizada pela perda da capacidade de integrar emoção e realidade, provocando uma grave desestruturação psíquica. Geralmente, a pessoa com esquizofrenia possui delírios, alucinações e comportamentos que revelam a perda do juízo crítico. Leia mais sobre a doença aqui. Mas, como essa doença pode afetar o ambiente familiar? Foi pensando nisso que o cirurgião-dentista Mario Sergio Limberte, 69 anos, natural de São Paulo, escreveu o livro “Cadê minha sorte?”, lançado em novembro do ano passado pela editora Scortecci. A obra também será lançada em Portugal e em outros países de língua portuguesa ainda este semestre.

O livro conta a luta de um pai na busca do melhor tratamento para o filho diagnosticado com esquizofrenia e que faleceu por conta dos medicamentos antipsicóticos. André era um garoto muito talentoso, cheio de virtudes e aptidões para vencer na vida. De acordo com o autor, os surtos, delírios e alucinações da esquizofrenia causaram ao filho dele perdas cognitivas importantes no tocante à memória, ao raciocínio lógico e à capacidade de concentração.

De uma maneira franca e bastante intimista, Limberte conta o próprio drama pessoal: as suspeitas até ao diagnóstico do filho caçula, que era portador de esquizofrenia e faleceu por causa dos efeitos colaterais dos antipsicóticos. Ainda na obra, ele propõe uma série de debates em torno do uso desses remédios, além de servir como um guia para as pessoas que convivem de perto com essa situação. Para falar mais sobre este assunto, confira abaixo a entrevista do autor!

1) Como surgiu a ideia de escrever o livro "Cadê minha sorte?" ? Como tem sido a aceitação do livro entre os médicos, pesquisadores e pessoas com esquizofrenia?

A melhor arma para se lutar contra uma doença incurável é a informação. Ao tomar conhecimento do diagnóstico do meu filho, "mergulhei" nos livros para conhecer a doença. A literatura médica brasileira ajudou muito, mas queria ouvir depoimentos de pais e de portadores. Em 1995, no Brasil, não encontrei nenhum livro com essa abordagem. Foi então que decidi encomendar livros do exterior e fazer pesquisas pela internet. Nos últimos dez anos, acumulei informações que muito me ajudaram e que são úteis aos pais e às famílias, em geral. Baseado nessa premissa decidi escrever o livro "Cadê minha sorte" (Ed.Scortecci). Não posso falar da aceitação dos médicos em geral, mas tenho recebido muitas mensagens de solidariedade. Não endosso nenhuma teoria ou tese médica comentada no livro. As informações citadas são baseadas em extensa bibliografia e não na minha opinião pessoal. Quanto aos pais e pessoas com esquizofrenia, a solidariedade é extraordinária! As pessoas lêem o livro que eu gostaria de ter lido anos atrás. A satisfação de abrir meu coração dando meu depoimento aos pais que sofrem com o problema me acalenta. Sinto meu filho André mais perto de mim.

2) O senhor acredita que o livro possa ajudar os pais a entenderem ou a lidar melhor com a esquizofrenia?

Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Nas conversas que tenho tido com pais, percebo que a maioria está confusa e, às vezes, tomando atitudes erradas.

3) Como o senhor suspeitou que o seu filho tinha esquizofrenia?

Não suspeitei que ele estava com esquizofrenia, porque não tinha noção do que era essa doença. Comecei a perceber que estava ocorrendo algo de errado quando ele, aos 18 anos, passou a se isolar dos amigos, ficar trancado no quarto por longos períodos, ter o afeto diminuído, dizer-se perseguido pelos professores. A esquizofrenia aparece insidiosa e traiçoeiramente sem que os pais a percebam na adolescência - o que faz com que a gente confunda com rebeldia adolescente, revolta contra o sistema, etc. Baseados nas minhas informações, os psiquiatras que consultei diziam haver suspeitas da doença, mas precisariam ter mais informações e conhecer meu filho pessoalmente. Meu filho se recusava ir ao médico, dizia: “Pai eu não tenho nada, você é que está estressado de tanto trabalhar e que precisa ir ao médico”. A pessoa não tem "insight" da doença. Ela simplesmente não acredita e não se julga doente. Quando ocorreu o primeiro surto, aos 22 anos, daí não tive dúvidas.

4) Assim como a ABRE (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia), o senhor também luta para mudar o nome da doença-estigma? Na sua avaliação, mudar o nome da esquizofrenia pode ajudar a diminuir o preconceito em torno da doença?

Mario Sergio Limberte - A palavra esquizofrenia é semelhante a lepra nos tempos antigos. As pessoas se afastam tão logo sabem que alguém tem a doença. É sinônimo de loucura, hospício e violência. São três as "marcas " impostas aos doentes de esquizofrenia:

I. preconceito: sinônimo de opinião e julgamento a priori sem maior conhecimento;

II. estigma: sinônimo de marca negativa , infamante e desonra;

III. discriminação: sinônimo de separação, isolamento e diferenciação.

Antes se designava o "transtorno maníaco-depressivo" de estigmatizante: imagine estar ao lado de alguém maníaco? Isso causa preconceito aos desinformados. Hoje se fala "transtorno bipolar" e as pessoas não se impressionam mais. Um pai afirma que o filho é bipolar sem causar constrangimento ou medo nas pessoas. A mudança da terminologia e a informação podem ajudar a melhorar o processo de socialização da pessoa que possui a doença.

5) No livro, o senhor conta que teve que vencer a própria depressão para poder cuidar do seu filho. Conte um pouco de como foi esse processo?

Após consultar seis médicos, psicólogos e descrever o que acontecia com meu filho, me foi sugerido que poderia ser esquizofrenia. Corri a procura de um livro que explicasse a doença. Ao ler as primeiras páginas, comecei a entrar num "túnel" onde me via de frente para a descrença, a não aceitação, a revolta e a depressão. André, o meu filho, era um menino lindo, brilhante nos esportes, faixa preta de tae-kwon-do, graduando em odontologia, querido por todos, perseguido pelas garotas e, tecnicamente, não poderia ter essa doença. Mas ele teve. E isso mostra que a doença não escolhe um perfil, nem tipo característico. Assim começou uma depressão grave que foi controlada após terapia medicamentosa e psicológica. Afinal, eu deveria estar "inteiro" para ajudar meu filho a enfrentar as adversidades que viriam.





» Observação: Apesar desse texto ser de minha autoria, ele foi publicado orginalmente no Portal Minas Saúde. Para ler a entrevista completa, clique aqui.




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Wander Veroni
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