Da esquerda para a direita: Wander Veroni, Tico Esteves, Gustavo Freitas e Daniel Paiva.
Prosear sobre assuntos blogosféricos e ver que a amizade virtual que começou a tanto tempo pode render frutos também no mundo real. Nessa quinta-feira (29/04), o bacharel em Sistemas de Informação e blogueiro @gustavofreitas, autor do blog GF Soluções, natural de Linhares (ES), esteve de passagem por Belo Horizonte (MG) à trabalho e aproveitou para promover uma reunião entre os amigos e blogueiros @danielpaiva, @ticoesteves e eu – uma vez que nós três moramos na capital mineira.
Quem acompanha o Café com Notícias sabe dos encontros maravilhosos que já tive e das amizades virtuais que também migraram para o mundo real – as amigas queridas Letícia Castro, Viviane Righi e Luka Almeida que o digam...hehehe :D. Conhecer o Gustavo pessoalmente foi uma experiência muito bacana e posso dizer que ele é a mesma pessoa carismática e prestativa que aparenta ser no blog. Além do mais, graças ao convite do Gustavo pude rever dois amigos: Daniel Paiva e Tico Esteves – uma vez que já nos encontramos outras vezes, mas que pela correria do dia-dia acabamos que não temos tanto tempo para nos encontrar pessoalmente, apesar de falarmos via email, twitter e afins constantemente.
No nosso encontro, os quatro blogueiros tinham tanto assunto para conversar que parecia que já nos conhecíamos a bastante tempo. Se bem na verdade, nos conhecemos sim. Conversando online e trocando figurinhas nesses dois últimos anos não tem como ser outra coisa: a prosa de ontem à noite (29/04) foi da melhor qualidade. Valeu, amigos! Foi um prazer poder encontrá-los!
Uma das coisas que mais gosto de fazer para passar o tempo é procurar vídeos na internet para assistir. Seja séries, filmes, programas de TV e, principalmente, videoclips musicais. Não por acaso, ao abrir o Youtube me deparo com um vídeo do cantor Tyler Ward na página inicial, fazendo cover da música “Baby”, de Justin Bieber. Calma, não sou fã de Bieber – que é sucesso entre os adolescentes de todo mundo. Mas, por ver na descrição do vídeo a palavra “acoustic” resolvi clicar e assistir.
Para a minha surpresa, o cover superou o original. Virou outro som, literalmente. Sabe aquela música romântica voz e violão? É justamente isso que me impressionou. Falta o mercado fonográfico (gringo) comercial investir mais nisso. Veja o vídeo abaixo e tire as suas próprias conclusões:
Uma voz afinada, personalidade musical nos cover e empreendedorismo. Esses foram motivos suficientes que me fizeram entrar no Google e pesquisar um pouco mais sobre esse artista norte-americano com um quê de Emmerson Nogueira. Mas você deve estar pesando: porque o Café com Notícias está abrindo espaço para falar de um artista que ninguém conhece? Porque não valorizar um artista local?
Bom, antes de mais nada, gosto de música. E música boa não deve ter barreirismos. Me encanta ver no YouTube pessoas sérias querendo divulgar o seu trabalho de forma honesta e empreendendora. E, além do mais, creio que Tyler pode servir de exemplo – pelo empreendedorismo e força de vontade, para artistas ou profissionais que lutam diariamente por reconhecimento profissional e usam a internet ao seu favor. Ouça a versão acústica da música “Airplanes”:
Mas, antes de você julgá-lo, dê uma chance e conheça a história de @TylerWardMusic, natural do Colorado, nos Estados Unidos, retirada da biografia escrita no Facebook do cantor:
Paixão é o que impulsiona Tyler Ward a cantar, produzir e fazer música. No entanto, a música nem sempre foi o foco dele. Incentivado por seu pai, ainda muito jovem, Tyler seguiu a carreira de atleta, no futebol americano. Desde então, ele dedicou bastante tempo de sua vida a marcar touchdowns" e ganhar jogos de futebol em vez de perseguir o seu sonho musical.
Depois de completar o ensino médio, Tyler foi aceito na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos, onde também continuou jogando futebol. Tyler nunca conseguiu se ajustar ao estilo de vida militar: "eu sorria demais, achava graça de tudo", diz. Foi por causa de seu sorriso excessivo e expressão criativa demasiada que Tyler sempre se encontrava esfregando banheiros e pisos de limpeza nos fins de semana, como castigo.
Apesar da experiência intensiva de limpeza, Tyler não deixou a peteca cair. Ele conseguiu transferência para a Universidade do Colorado do Norte e mais uma vez acabou jogando futebol. Depois de toda essa experiência que não ia de encontro aos seus sonhos, ele decidiu deixar o esporte e seguiu, finalmente, a sua paixão por escrever músicas e cantar.
O sonho de Tyler de se tornar um artista de sucesso nacional aconteceu quando ele começou a tocar como músico contratado de artistas consagrados do pop music norte-americano, tais como The Fray, The Jonas Brothers, Gavin DeGraw, Ugustana e Ryan Cabrera. "Depois do primeiro grande show com The Fray, decidi que queria fazer música para o resto da minha vida", diz Tyler.
Tocando em shows para milhares de pessoas, foi o suficiente para alimentar em Tyler a sua criatividade. Foi assim que ele resolver a escrever e gravar demos [e vídeos] de vários artistas [em versões acústicas na internet] que têm atraído a atenção do público e de toda indústria musical.
Agora, você pode encontrar Tyler cantando, gravando e executando música por todo o estado do Colorado (EUA). Tyler se tornou um conhecido artista local que está fortemente prosseguindo e se apresentando ao vivo. "Eu amo cantar e é de longe o melhor trabalho que eu já tive", diz. O jovem artista credita a mãe pelo seu talento musical – a pianista Susan Ward, onde pode estudar desde pequeno música clássica. Tyler diz: "Minha mãe é a minha rocha".(Observação: este texto é uma tradução adaptada da versão original).
Com mais de dois milhões de visualizações dos seus covers no YouTube, Tyler se prepara para lançar seu primeiro álbum no próximo verão. Para isso, ele tem convocado os fãs para criar a capa do CD, cuja as imagens estão publicadas no Facebook e uma será a escolhida.
Tyler é um artista local do Colorado que, de forma independente, está fazendo sucesso em todo o mundo, graças a sua força de vontade e talento musical. Pesquisando na internet, achei alguns sites norte-americanos que o criticam por fazer sucesso em cima do cover de artistas do momento, mas que, independente disso, reconhecem o talento do garoto. Outra coisa que me chamou atenção em Tyler foi ele convidar amigos cantores e lança-los no seu canal noYouTube. Veja abaixo o vídeo dele com a também cantora Julia Sheer:
Você ainda tem dúvida que logo, logo esse jovem artista não vai estourar em todo o planeta? Eu não tenho dúvidas...pois ele já comercializa algumas músicas no iTunes e é um dos vários exemplos de artistas que conseguiram fazer sucesso graças ao trabalho com as mídias sociais. No vídeo abaixo, Tyler colocou toda família Ward para tocar uma versão acústica de um grande sucesso do hip hop e o resultado, mais uma vez ficou sensacional. Veja o vídeo:
E para terminar, Tyler e seus amigos com o cover de "We are the world", relançado no início do ano para ajudar as vítimas do terremoto do Haiti:
Assim como acontece nas partidas de futebol, fazer um gol aos 45 minutos do segundo tempo é um grande feito. Provoca euforia na torcida e mostra que o time esteve lá, batalhando até o último segundo pela vitória. Na nossa vida, em tese, também não deveria ser diferente, bem como no mundo empresarial. Fazemos o melhor para querer acertar, sempre.
Mas, para variar sempre tem um espírito de porco. Aquele que fica querendo cutucar onça com vara curta, no sentido de desestabilizar, e não para acrescentar algo de positivo. Curiosamente, essa semana, um dia depois de ter começado a ser exibido o vídeo comemorativo dos 45 anos da Rede Globo, por meio do Twitter, o coordenador da campanha de Dilma Rousseff na internet, Marcelo Branco, criticou a peça, acusando-a de ter, supostamente, uma mensagem subliminar em favor do candidato tucano.
Foi bem ali, nos 45 do segundo tempo, nos 45 anos da Globo que os 45 do Serra virou motivo de mensagem subliminar de um marqueteiro. Estranho, né? Ou melhor: teoria da conspiração. Partindo desse pressuposto, o Clube dos 13 sempre foi Petista e os 50 anos de Brasília fez uma propaganda nacional para o P-Sol. É demais para a minha cabeça, viu...bom senso tem limite.
Ciente da proporção que as coisas ganham nas redes sociais a Rede Globo suspendeu o VT e pensa em fazer outra campanha. Vestiu a carapuça? Não. De fato, se você ver o vídeo, não dá para fazer alusão a Campanha do José Serra. É muita forçação de barra...e cá para nós, esse #mimimi pré-eleitoral já mostra o que vem por aí, afinal o “futuro já começou”!
Bom, independente disso, a “Vênus Platinada” merece os nossos parabéns. É referência em linguagem em mídia eletrônica, tanto na parte de entretenimento, como no jornalismo, além de ter excelência na sua teledramaturgia. Teve erros? Muitos, por sinal. Porém está ali, firme e forte na liderança e lutando pelo seu padrão de qualidade que alguns concorrentes importaram sem sucesso.
Quem nunca se pegou programando algo para depois da novela, antes do jogo de futebol ou esperando a cobertura do Jornal Nacional perante um assunto de comoção em todo o país, que atire a primeira pedra? O Plim-Plim nos prova que TV é hábito e precisa estar enraizada na rotina do telespectador, afinal a Toda-Poderosa tem um pouco mais de quatro décadas de sucesso para ostentar. Isso não é para qualquer um, definitivamente.
_______________________________________________ *Observação: Este artigo faz parte da minha participação do projeto Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar, no blog do Cena Aberta, uma concha de retalhos dos principais pontos de cada artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni. E, no site, o texto individual de cada autor.
Existem dois tipos de pessoas: as que dividem as pessoas em dois e as outras. Brincadeira. Existem muitos tipos de pessoas. Eu diria mais. Eu diria que cada pessoa tem muitos jeitos diferentes ao longo da vida. Eu diria mais ainda: que ainda não comecei o post pra valer. Estou enrolando pra falar que há duas atividades muito diferentes para quem faz vídeo: estúdio e externa.
O trabalho em externa é um trabalho mais duro, mais 'sujo', exaustivo. Quem já trabalhou como repórter sabe como é. Você passa o dia inteiro na rua. Você faz lanche na rua, almoça na rua e, para ir ao banheiro e fazer qualquer coisa, de escovar os dentes a se refrescar, você tem que procurar um banheiro, seja numa padaria, restaurante ou um posto de gasolina. Ser mulher e pedir a chave no posto não é uma aventura glamorosa.
E não é só isso. Você não tem individualidade. Num escritório você pode levantar, tomar uma água, fazer um xixi, sem ter que avisar ninguém. No trabalho de equipe, não. Se você estiver com sono, fome, sede, vontade de fazer xixi, cólica, a equipe inteira vê, sabe, acompanha. Não tem indivíduo, tem o grupo. Para quem é reservado é bem difícil. Isso sem contar o contato direto com o público. Tem que atender, conversar, falar. E, no caso de reportagem, responder pelo menos mil vezes à pergunta 'e quando vai passar?'.
Além disso, tem a chuva, o frio, a sujeira, o sapato que pisa no molhado, a roupa usada, transpirada. Os perigos. A disputa. A concorrência. Enfim, o trabalho em externa é muito cansativo e exige demais da pessoa por trás do profissional. Você está exposto. Você está na rua. E a rua é pública. Tudo pode acontecer, de acidentes a assaltos. Tudo. No estúdio, não.
No estúdio você esta limpa, protegida. Todo mundo cuida de você. O diretor avisa se o fio de cabelo está fora do lugar, o maquiador retoca, o cabeleireiro dá um jeitinho. Tem ar condicionado, água e café, uma viagem de primeira classe ou, pelo menos, de executiva. Você é uma estrela. Claro que é só uma atividade temporária, mas muita gente acaba acreditando que virou uma estrela mesmo.
Você simplesmente fica ali, muitas vezes lendo o TelePrompter e sua única preocupação é ficar bonita e sorridente. A televisão faz o milagre acontecer: você fica em pé, toda arrumada, falando pra câmera e sua imagem magicamente vai para 'trocentos' milhões de lares que vão achar você o máximo.
Por isso que todo mundo quer ser 'apresentador de televisão'. O feio fica bonito, o gordo fica magro (pergunte-me como!) o burro fica inteligente, o ignorante fica sábio. O mais ou menos normal vira gênio. A equipe faz isso acontecer. Hollywood também faz isso acontecer. É uma indústria do 'fazer parecer'. E funciona. Tem gente que nem canta e vira cantor. É incrível. Eu, que já tive uma pequena experiência dos dois lados, na frente e atrás das câmeras, aprendi que não se pode acreditar na ilusão que se produz. É como o mágico do circo: o truque é fazer o outro acreditar.
Já chorei junto com a equipe, já quase dei à luz dentro de uma Kombi, já tive que jogar a roupa inteira no lixo depois de fazer uma reportagem numa usina de reprocessamento de detritos. Já tive gente me retocando no estúdio e costureiras tirando medidas. (Foi assim que eu soube que algumas apresentadoras usam corpetes inteiros de elástico para parecerem mais magras, do joelho até o colo, feito em Minas Gerais por uma fábrica especializada em cintas. Na época, para não ter que usar uma, fechei a boca e emagreci. Depois, engordei tudo de novo. Fecha parêntese).
Por isso, entendo tanto o que a Iris [Stefanelli, ex-apresentadora do TV Fama, da RedeTV!] está sentindo. Ela apresentava um programa diário, ao vivo, numa TV aberta, toda bonita no estúdio. Ganhava bem, fazia merchan. Agora, ou vai ser repórter de rua ou perde o emprego, ao que parece. Ela se sente rebaixada. Faz sentido. É assim que todo mundo vê a mudança dentro de uma emissora. O mundo da mídia é competitivo e cruel. C'est la vie.
Mas há uma diferença crucial entre o mundo interior e o exterior: a pessoa que está na rua tem contato com a realidade. Conhece o mundo. Vê as pessoas, sente cheiros, fica alerta. E as que vivem encasteladas no estúdio, não. As pessoas que olham as outras nos olhos, viram gente. As que só olham para a lente da câmera só têm olhos para si. Porque não veem ninguém. E, quando vêem, não representam o mundo real. Na plateia, só tem fã gritando que a pessoa é maravilhosa. Nos camarins, só funcionários para deixá-la maravilhosa. Isso, definitivamente, não é realidade.
A longo prazo os apresentadores de estúdio transformam-se em bonecos e bonecas, robôs, pessoas irreais. Cercadas de assessores, assistentes, secretários. Mandam beijos coletivos e dão autógrafos já impressos. Claro, sempre há exceções. Mas quanto menos se convive com o mundo real, mais irreal a pessoa fica.
Todos os profissionais deveriam passar por um pouco de tudo, para entender a diferença, para voltar à humanidade. Por isso, amiguinhos, a gente tem que aprender a amar a si e ao outro, dar-se o respeito e respeitar o outro e aprender que nosso valor não vem da nossa posição, nem do nosso salário, nem do local onde trabalhamos. Porque essas coisas flutuam e passam. O caráter que temos, não. Pra virar gente tem que aprender a conviver com gente. E ponto.
Fotos: O Globo, Portal X e RedeTV!.
Observação: Este texto foi publicado, originalmente, no blog Querido Leitor. O post foi gentilmente cedido à seção "Café Convidado", do Café com Notícias, pela jornalista Rosana Hermann. Para conferir o post original, clique aqui.
____________________________________________ *Perfil: Muito prazer, Rosana Hermann. Trabalho como jornalista, radialista, redatora, roteirista, escritora, blogueira, twitteira (@rosana) e tenho orgulho de incluir na minha carreira o fato coerente de saber fazer tricô. Tenho bacharelado em Física pela USP, e fiz pós em Física Nuclear, também pela USP. Dou aula de Roteiro na FAAP, sou jurada do prêmio The Bobs da Deutsche Welle e faço o blog da Skype no Brasil. Sou gerente de criação no R7, onde também mantenho o blog Querido Leitor.
Para participar da seção Café Convidado, do Café com Notícias, basta enviar para o e-mail wander.veroni@gmail.com com um material de sua autoria. Pode ser uma reportagem (texto, áudio ou vídeo), artigo, crônica, fotografias, peças publicitárias, documentário, VT publicitário, spot, jingle, videocast ou podcast. Mas, atenção: pode participar estudantes de Comunicação Social (qualquer habilitação: jornalismo, publicidade, relações públicas, Rádio e TV, Cinema, Produção Editorial e Design Gráfico), profissionais recém-formados ou jornalistas mais experientes. Participe e seja meu convidado para tomarmos um Café! OBSERVAÇÃO: Por ser editor responsável pelo Café com Notícias, o material enviado está sujeito a sofrer edição final para adequação da linha editorial abordada neste espaço.
As novelas de Manoel Carlos ficaram famosas por possuir ingredientes que caracterizam os seus folhetins. Uma Helena, o bairro carioca Leblon, um garanhão e uma campanha social. Pelas chamadas, Viver a Vida tinha tudo para ser a melhor telenovela de Maneco, mas não foi. O que é uma pena, pois tinha fôlego para isso: pela primeira vez teríamos uma protagonista negra na novela das oito que não discute, necessariamente, questões ligadas ao preconceito racial – o que é um avanço.
Até aí tudo bem. Só que a Helena – de Taís Araújo, é muito chata e estereotipada. Ela vive um drama que não é necessariamente seu e adora sofrer o problema dos outros. Parece que só agora, nos 45 do segundo tempo, que a Helena vai viver um drama bem particular: se envolver com o filho do seu ex-marido – sem ela saber desse detalhe no início do relacionamento, no melhor estilo tragédia grega. Ou seja, vem aí mais um clichê.
Além disso, a trama é arrastada. Nada acontece. Se você ficar sem assistir um capítulo por uma semana (ou mais) o telespectador continua entendendo tudo o que se passa. A falta de agilidade dos acontecimentos me cansou e, pelo menos nesse horário, prefiro assistir outra coisa. Dica: para quem curte seriados americanos e não tem TV Paga, assista o Terra TV. Tem vários títulos totalmente de graça. Recomendo.
Mas, voltando ao assunto...acabou que Lilian Cabral e Aline Moraes se tornaram protagonistas da novela, pela qualidade e verdade das suas interpretações como Tereza e Lucina, mãe e filha, respectivamente. A campanha social da personagem cadeirante de Luciana é sim o ponto forte da trama, assim como o tema superação. O elenco tem vários destaques como Bárbara Paz, Mateus Solano, Christine Fernandes, entre outros. Outra característica interessante são os depoimentos no final de cada capítulo que são exemplos de força de vontade e otimismo. Muito bem sacado!
Os diálogos, em muitas das cenas, são bem feitos, mas falta ao autor de Viver a Vida humildade para reconhecer que precisa de uma supervisão de texto para dar um ritmo maior aos acontecimentos da novela. O telespectador da novela das oito quer emoção na história, mas também precisa de ritmo, de agilidade, e menos lenga-lenga. Leblon? Isso é muito década de 90. Agora o lance é ir para Búzios...rs.
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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação do projeto Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar, no blog do Cena Aberta, uma concha de retalhos dos principais pontos de cada artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni. E, no site, o texto individual de cada autor.
O que é direito autoral? Como o autor de uma ideia pode se proteger? E a internet, é uma terra sem lei? Como combater o plágio? Essas foram algumas questões que foram debatidas no programa Caleidoscópio, apresentado pela jornalista e atriz @GiseleJota, as segunda, quarta e sexta-feira, às 17h, na TV Horizonte, do qual fui convidado, nessa última sexta-feira (16/04), para falar sobre blog, ghost writer e o trabalho de produção de conteúdo na internet.
Desde já, agradeço a produção do @Caleidoscopiotv pelo convite. Adorei participar da atração, principalmente por ser um dos únicos programas de TV voltado para o público jovem e com auditório, realizado em Belo Horizonte (MG). Além disso, o debate sobre plágio e direito autoral sempre se faz necessário para conscientizar as pessoas a respeito do trabalho de produção intelectual e que existe uma legislação (que está em processo de ser melhorada) a respeito disso.
Da esquerda para a direita: Renato Dolabella, Wander Veroni, Érico Ribeiro, Gisele Jota e Alê Magalhães.
Para o Caleidoscópio também foram convidados para o debate com a platéia o advogado e professor universitário Renato Dolabella, advogado especialista em propriedade intelectual; o diretor da Faculdade Estácio de Sá Érico Ribeiro, que adotou um projeto super bacana na instituição onde os alunos recebem o material didático via apostila e, dessa forma, não precisam utilizar o xérox – essa atitude permitiu o recolhimento do direito autoral dos capítulos dos livros e combate a pirataria. No palco do programa, o músico Alê Magalhães, com banda ao vivo, cantou algumas músicas do seu repertório e participou do debate falando sobre o direito autoral na música.
Equipe do programa Caleidoscópio: Isabel, Pollyana, Gisele Jota, Paula Bicalho e Larissa.
As enchentes no Rio de Janeiro, que aconteceram na última semana, causou mais mortes do que qualquer outra tragédia pelo mundo em 2010. De acordo com especialistas, a inundação no Rio foi a quinta mais fatal do mundo, com mais de duzentos mortos, centenas de feridos e desabrigados.
Mas, você que é leitor do Café com Notícias, deve estar estranho mais um post sobre a enchente no Rio de Janeiro, não é verdade? O último post não foi sobre o documentário da enchente? Foi, mas calma. Não é sensacionalismo. Tem um motivo. Para nós jornalistas, a cobertura de tragédia é um momento de reflexão, respeito e criatividade muito grande. Vários debates podem ser feitos e, com isso, lições valiosas podem ser tiradas e levadas, tanto para o lado pessoal, como o profissional.
Na semana passada, exatamente numa quinta-feira (08/04), o Jornal Nacional (JN), da TV Globo, se propôs a fazer algo diferente com o intuito de mostrar de perto o que acontecia em Niterói (RJ), mais especificamente no Morro do Bumba, onde teve o maior número de vítimas, até então.
Fátima Bernardes, apresentadora titular do noticiário, foi escalda não só para apresentar o telejornal de lá, mas como também fazer matérias e descobrir personagens dessa tragédia que chocou o país. Veja abaixo a entrevista que Fátima concedeu ao jornalista Alfredo Bokel, editor do site do JN Especial, sobre os bastidores dessa cobertura:
Esse post, na verdade, é uma necessidade que tenho de dividir com você leitor, independente se é jornalista ou não, de valorizar algo de bom na TV aberta, que anda numa profunda crise de qualidade. Quem me conhece, sabe o meu caso de amor e ódio do Jornal Nacional.
Em algumas coberturas, o JN ou me decepciona, ou me surpreende pela criatividade. Mas, porque o Jornal Nacional? Querendo ou não, é o telejornal mais antigo da TV brasileira e que até hoje inova e impõe a sua linguagem como padrão para todos os outros noticiários. É referência, e não exatamente um gosto pessoal. E os jornalistas têm por obrigação ficar atentos em linguagem, estética, texto, formato e conteúdo para, desse modo, acrescentar para si aquilo que merece ser colocado em prática na sua rotina produtiva. É importante ficar atento ao trabalho do colega, sempre.
Além de tudo, para nós, que estamos do outro lado da telinha, vale a pena ressaltar quando vemos bons exemplos, da aquela esperança para que chama do bom jornalismo continue e permaneça acesa. Existe esperança no final do túnel! É possível ter audiência comuma cobertura jornalística de qualidade. O que quero propor nesse post é que você enxergue além da emissora ou da linha editorial, que você comece avaliar a qualidade da notícia que chega até você todos os dias e, caso não concorde com o que foi mostrado troque de canal e procure outros meios de informação que lhe satisfaça. Não se acomode!
E nessa terça-feira (13/04), o Profissão Repórter – que é uma das atrações obrigatórias para quem gosta de boas reportagens e dos bastidores da notícia, foi no olho da tragédia e reportou como foi os dias de angustia dos moradores que perderam tudo na enchente e deslizamentos dos morros no Rio de Janeiro. Exemplos de solidariedade, esperança e descaso do IML, são alguns dos temas que o telespectador pôde ver nesse programa.
Qualquer comentário feito à equipe de Caco Barcelos – pelo menos no meu entendimento como jornalista, é desnecessário, pois não falta elogios. Aliás, sobra. Brinco que o jornalístico não é um programa de TV, mas sim uma aula do que é possível fazer para salvar a narrativa do telejornalismo e mostrar para o público que antes de lidar com fatos e acontecimentos, lidamos com seres humanos e precisamos sair do padrão e inovar.
E essa edição do programa, em especial, foi um dos melhores que já assisti até então. Recomendo. Assista o Profissão Repórter na íntegra abaixo:
Um grupo de amigos que pratica esportes radicais e artes circenses, cuja missão é mudar o cotidiano da cidade por meio de mensagens de conscientização, e muita, mas muita aventura. Em Julho de 2009, após a conclusão da série "Ratier - A RATOEIRA", o grupo Climb4, deu início ao Projeto Rizoma, onde arte, esportes radicais, música e viagens se encontram.
Fazem parte do Projeto Rizoma Diogo Vianna, de 24 anos, formado em Comunicação Social; Leonardo Coupey, de 28 anos, formado em Informática; Leandro Vianna, 23 anos, formado em administração e pelo estudante Leonardo Grilo, de 19 anos são a base do grupo, que tem uma média de dez pessoas envolvidas, de acordo com os idealizadores. No Blog do Rizoma é possível ver vários vídeos da aventura do grupo.
Mas, o que é Rizoma? De acordo com a botânica, é um tipo de caule que cresce de forma horizontal, geralmente subterrâneo, mas podem também ter porções aéreas. Os rizomas são importantes como órgãos de reprodução vegetativa ou assexuada de diversas plantas ornamentais, como por exemplo: grama, espada-de-são-jorge, samambaias e orquídeas. Dessa maneira, o nome do grupo se dá, justamente, ao fato de que este tipo vegetal que cresce de forma linear e alcança diferentes espaços, assim como a proposta do grupo.
Com uma visão bastante questionadora, os meninos do @canalrizoma resolveram fazer algo diferente. Durante as fortes chuvas que provocaram a quinta enchente mais fatal do mundo – no Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo; com mais de 200 mortos devido a esta catástrofe natural somado com o descaso de várias décadas dos nossos governantes, eles resolveram documentar isso de uma forma muito particular.
Inicialmente, a missão era chegar até a Praça da Bandeira e mostrar a situação de caos da capital fluminense. Mas, tudo mudou. Diante de vários depoimentos e de uma situação de tragédia, uma ideia na cabeça e uma câmera na mão puderam fazer a diferença na vida de algumas pessoas naquele fatídico dia. Assista o documentário abaixo:
ENTREVISTA
1) Qual é a proposta principal do documentário "Rizoma na enchente, de verdade"? Vocês pretendem escrevê-lo em algum festival de documentário ou de curtas?
RESPOSTA: Não temos essa pretensão de festival ou premiações, ainda. Mas é uma boa idéia! Geralmente, pensamos uma proposta inicial para nossas intervenções, mas normalmente ela muda durante a ação e muda de novo depois de editado o vídeo. É uma metamorfose, é um filho, que só chega à maturidade quando se finaliza a edição. No dia da enchente saímos com a intenção de fazer uma missão: chegar até a Praça da Bandeira de bote e mostrar o estado das coisas nessa parte do Rio de Janeiro. Todavia, tudo mudou quando vimos que a situação estava caótica. Então, começamos a recolher depoimentos e a viver aquela situação na pele, o que chamamos de "Jornalismo-Nômade". É uma forma de mostrar algo sem ser em terceira pessoa, como se faz normalmente no jornalismo. Queríamos sentir na pele como todos e ser participantes do sofrimento. Só assim dá pra saber o que se passou naquele dia.
2) O documentário começa a partir de uma inquietação de um membro do grupo que teve o carro alagado na enchente do Rio de Janeiro e que propõe um desafio de ir de bote até um determinado local. Mas, no meio do documentário há uma mudança de planos da equipe que começa a dar voz as pessoas e também se solidariza com que está acontecendo na cidade. Para vocês como foi fazer esse documentário? Em alguns momentos vocês sentiram medo por estar, literalmente, no olho do furacão? Conte um pouco dos bastidores e do período de pós-produção.
RESPOSTA: Não era medo, exatamente. Estávamos mais chocados com tudo que estava acontecendo, sem exageros, parecia cena de final de mundo. Quando nos lançamos para ações como essas, sabemos que tudo pode mudar. É um momento em que as circunstâncias nos dominam, e assim decide o rumo das coisas. Ficamos dois dias sem dormir depois desse trabalho, tanto por ansiedade, quanto pelo processo de edição, que nos massacrava por não sabermos que "tom" dar ao vídeo, foram 60 minutos de filmagem reduzidos um pouco mais de nove minutos. Por fim, acho que conseguimos mostrar como a "aventura" se desenrolou. Começando como uma aventura no meio de uma cidade completamente transformada e terminando com caos, descontrole e loucura emocional.
3) Uma das sonoras (depoimento do entrevistado) mais bacanas é de um motorista que desabafa toda revolta que ele sente em relação ao governo. No final, ele afirma que vocês o curaram de um câncer por ter dado a oportunidade de desabafo. Afinal, a mídia, na opinião grupo, não tem mostrado a realidade dos nossos governantes? O que vocês acharam da cobertura jornalística feita dessa enchente?
RESPOSTA: Na vida existem várias realidades, só no nosso vídeo você vê várias, a nossa, dos revoltados, dos tranqüilos e dos em perigo. O problema da mídia atualmente é mostrar apenas uma realidade: a deles. A de quem está dentro do estúdio no ar-condicionado ou na rua com alguém segurando o guarda-chuva pra eles. É ai que se perde a riqueza do acontecimento e as milhares de realidades que existem ali. E ai você não pode sentir nada sobre a situação, nada te afeta, apenas informa.
4) O final do documentário é muito bonito e traz um dilema muito comum no jornalismo: diante da notícia, tem como não se envolver com o acontecimento? No caso do documentário em si, vocês pararam de gravar para salvar as pessoas, o que mostra o lado humano da situação. O que aconteceu com as pessoas ajudadas? Elas passam bem? Como é a sensação de, mesmo sem querer, ter sido herói, para aquelas pessoas do ônibus?
RESPOSTA: O dilema foi muito rápido. Ajudar pessoas em perigo é um reflexo, não há heroísmo nenhum nisso. Estávamos envolvidos com o acontecimento desde o início e íamos reagir ao que viesse. O fato de para de filmar foi devido a atrapalhar o que era mais importante fazer. Se não atrapalhasse, teríamos filmado tudo. Só não sei se publicaríamos.
Um programa de variedades, com toques de humor e, ao mesmo tempo, provocativo. Foi essa impressão que Legendários, programa que estreou nesse sábado (10/04), às 21h45, na Rede Record, deixou para os telespectadores. A atração conquistou a vice-liderança isolada na audiência, com média de 10 pontos, no Ibope da Grande São Paulo.
Na contramão do sucesso de audiência, @Legendarios gerou uma péssima repercussão no Twitter. A tag #LegendariosFAIL ocupou as primeiras posições do Trending Topics do Twitter no Brasil, ao lado da tag Jaque Khuri, ex-BBB e integrante do elenco da atração que foi comparada a Sabrina Sato, que também participou do Big Brother Brasil e hoje trabalha no Pânico na TV, da RedeTV! – programa pioneiro na TV aberta que abriu as portas para essa nova safra do humor a partir do stand up comedy.
Da outra ponto no Twitter, alguns usuários e celebridades, eleogiavam a estreia de Legendários, só que em um coro muito menor. No geral, a mensuração de posts no Twitter, nos faz pensar uma coisa que é preciso deixar bem claro: o público esperava outra coisa, e se decepecionaram.
Fica a cargo da produção consertar isso, pois o programa foi amplamente divulgado na mídia e redes sociais e, considerado, por muitos dos seus integrantes como pioneiro. Não foi isso que o público viu, infelizmente. A estreia de Legendários foi boa, mas houve uma falha de comunicação entre o público-alvo e quem o produziu. Não enxergar isso é jogar meses de pré e pós produção fora.
Na verdade, se pararmos para pensar do ponto de vista de produção final, Legendários não está mal. Muito pelo contrário, é um programa autêntico e que foi desenvolvido e planejado em vários detalhes. Desde o figurino dos apresentadores, os quadros, trilha sonora, cenário e esquetes. Só que a expectativa esperada no público era para ser um programa de humor. E, pelo menos na estreia, não foi.
Legendários, em síntese, neste primeiro momento, pode ser considerado um programa de variedades com auditório. A atração tem um tom provocativo interessante e bem dosado, seja pelo humor, seja pela informação. Aliás, o humor, na sua síntese, ficou a cargo da trupe ex-Hermes e Renato, nas suas esquetes no decorrer do programa.
Como telespectador, gostei do programa e acredito que pode ser uma opção interessante para as noites de sábado. O que pegou mal para Marcos Mion, na redação final de Legendários, foi enfatizar quase que hipnoticamente, que a atração tem a pretensão de ser revolucionária. Menos fala e mais ação, por favor. O programa está bem feito sim, mas precisa ainda adaptar alguns quadros, coisa que com certeza será feita no decorrer das edições. É um erro avaliar uma atração somente pela estreia...tenho certeza que toda trupe tem fôlego para provar o contrário e se superar.
O que podemos tirar de lição da estreia de Legendários, principalmente para quem trabalha com comunicação, é a importância de se ouvir o telespectador, que não é – ou nunca foi, passivo com o que lhe é oferecido como conteúdo. Prova disso foi esmagadora crítica negativa no Twitter que a atração teve na noite de estreia. Ninguém reparou, mas João Gordo foi escalado para comentar o programa com os internautas via microblog e, simplesmente, não fez isso, diante da avalanche de comentários ruins postados no site do passarinho azul.
Se a intenção é conquistar o público jovem, o melhor é ouvir a crítica dos internautas, mudar o que for preciso e aceitar que podem melhorar. Esconder esse episódio não é bom, nem para o elenco, muito menos para a produção do programa ou para a própria Record. Assumir e consertar, é melhor do que abafar. Afinal, todos querem que o projeto dê certo. E eu, como jornalista e telespectador, torço para que isso aconteça, pois pelo que li no blog do elenco de Legendários todos se entregaram de corpo e alma para o sucesso da atração. O elenco tem talento. Ainda dá tempo!
"A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão. Jornalismo é serviço público, não espetáculo." (Alberto Dines)
Costumo dizer que a guerra pela audiência está cegando a TV aberta. Quando pensamos que tudo já foi feito para explorar alguns pontos a mais, aparece alguém ou algo para provar que, do jeito que está, vale tudo pelo sensacionalismo – o que é um pena. Essa semana, tivemos duas abordagens na TV, em programas distintos, a respeito da exposição do crime na TV, que foram antagônicas e que, particularmente, me surpreendeu.
Antes de começar esse debate no Café com Notícias, precisamos ter em mente duas definições:
Sensacionalismo:de acordo com o dicionário Aurélio, é a divulgação e exploração de matéria, pauta ou assunto capaz de emocionar ou escandalizar com intuito de chamar atenção a qualquer custo a ponto de fazer espetáculo.
Jornalismo:é a atividade profissional da Comunicação Social que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre acontecimentos do cotidiano. (Fonte/adaptação: Wikipédia.)
Sensacionalismo não é jornalismo. Ponto. Que isso fique bem claro, pois apesar do jornalismo hoje estar passando por uma fase de transição de modelos e meios de produção, a sua essência sempre será a informação. Há quem diga que hoje jornalismo e entretenimento caminham juntos – e em alguns casos é uma fórmula que pode dar certo e gerar bons resultados. Mas, acima de tudo, é preciso ter ética e respeito com o público – coisa que alguns esqueceram, infelizmente.
Esta semana, tivemos dois exemplos na TV aberta, em que assuntos polêmicos podem ser tratados de uma maneira mais digna, informativa e transparente. Na terça-feira (06/04), o SuperPop, da RedeTV!, apresentado por Luciana Gimenez, trouxe uma entrevista com o promotor Francisco Cembranelli e Ana Carolina Oliveira, mãe de Izabela Nardoni, a garotinha que foi defenestrada pelo pai com a ajuda da madrasta, apesar de ambos insistirem na sua inocência perante o caso. Veja a primeira parte da entrevista abaixo:
Apesar da própria Luciana Gimenez ter um histórico sensacionalista no seu programa, pela primeira vez pude ver uma pauta ser tratada com a humanidade e prestação de serviço que o assunto mereça naquela atração. O que cabe um elogio a produção do SuperPop que humanizou o assunto e teve a dessência de respeitar a dor da família perante um caso que mobilizou todo o país.
Já na quinta-feira (08/04), o apresentador Ratinho, no SBT, trouxe um espetáculo – e não uma entrevista, com Guilherme de Pádua, assassino da filha da autora Glória Perez. Apesar de vários colegas da imprensa, artistas e telespectadores alertarem o apresentador sobre o erro que ele estava prestes a cometer. Ratinho, ao dar espaço para um acusado que já teve seu crime julgado pela Justiça, contribui de uma forma (in)consciente ao transformar um psicopata em celebridade. Um grande erro, talvez difícil de ser concertado. Veja o vídeo da entrevista abaixo:
Para Justiça, Guilherme de Pádua pagou o que devia. Justo ele voltar a mídia e tripudiar a dor de uma família? Qual é o interesse dele nisso tudo? Você gostaria de ver o assassino da sua filha dando uma entrevista a um programa de TV que tratou o assunto como o acontecimento do ano? Pensem nisso.
O meu medo como jornalista e telespectador é que, em nome da audiência, estamos invertando as coisas e transformando um acusado em celebridade. De acordo com vários especialistas, os psicopatas são incapazes de sentir remorso, ao ponto de convencer qualquer um do que fizeram tem um sentido lógico ou uma motivação.
A psicopatia é uma doença grave, que não tem cura e possui vários níveis de sociopatia. Se você tem dificuldade de entender sobre o assunto, veja a entrevista abaixo, onde médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes Perigosas, fala sobre psicopatia ao programa “Sem Censura”:
E você, o que acha sobre esse assunto? Confira abaixo a opinião dos nossos convidados no Café em Debate. E não se esqueça: participe desse debate via comentário, ok.
1) Rodrigo Piva, 30 anos, São Paulo, Designer. Site Curiosando. É realmente uma questão delicada, mas neste caso dou razão ao argumento usado pelo Ratinho. Por que Glória Perez não demonstrou a mesma decepção quando o Fantástico cedeu espaço para “Maníaco do Parque” e “Suzanne von Richthofen”, ambos criminosos confessos? Por ser o programa da mesma emissora em que ela trabalha?
Eu, se tivesse algum poder sobre isso, jamais entrevistaria nem um, nem outro. A exceção faço ao casal Nardoni, pois ambos se diziam inocentes – e, portanto, tinham direito a palavra, que não souberam usar, já que deixaram muito mais dúvidas do que esclarecimentos.
2) Arnaldo Reis Trindade, 21 anos, Barreiras-Ba, Supervisor Comercial de Lojas de Móveis Planejados e de Alta Decoração.Blog Não seja apenas uma marionete.
Dar espaço ao "suposto assassino" durante o período de investigação, para mostrar a sua versão, é certo, dar espaço a um assassino que já foi julgado e tratá-lo como celebridade como o Ratinho fez ontem não. Infelizmente, o ser humano tem mais facilidade para se concentrar em ver o vilão da história e querer vingança, do que se colocar no lugar da vítima ou familiares da mesma e tentar entender o que eles estão sentindo. Já a Luciana Gimenez acertou, no enfoque, mas acredito que não deveria ter feito a entrevista devido ao grande desgaste físico e psicológico que o Promotor e a Ana Carolina já haviam sofrido durante estes dois últimos anos. Por respeito a eles, acho que esta entrevista não deveria ter acontecido agora.
Agora é com você! Participe deste debate via comentário. A sua opinião é muito importante!
O dia em que o cartão postal do Brasil parou e viveu momentos de caos. Ruas alagadas, enchentes e mais de 100 vítimas fatais. Uma chuva que começou na noite de segunda-feira (05/04) e que se transformou, no decorrer dessa terça-feira (06/04), na maior tempestade já registrada no Rio de Janeiro, desde 1966. Choveu 288 milímetros, o que representa mais que o dobro esperado para todo o mês de abril.
Até o fechamento desta edição, de acordo com a defesa Civil, foram registradas 49 mortes em Niterói, 37 na capital fluminense, 11 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Paracambi e uma em Nilópolis. Ao todo, as chuvas deixaram 2.134 pessoas desabrigadas no Rio. Ainda, é possível que o número de vítimas seja ainda maior no decorrer do dia, pois as buscas por pessoas soterradas ou corpos continuam. Veja a reportagem abaixo que conta como foram as últimas 30 horas no Rio de Janeiro:
A Prefeitura decretou feriado escolar em todas as unidades do município, recomendando que as escolas particulares sigam a mesma orientação. Obras emergenciais para minimizar os transtornos já estão sendo feitas por todo o Estado para minimizar os estragos. A Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também suspenderam as aulas.
"Decretamos feriado para as escolas do município para reduzir o fluxo de veículos e pessoas nas ruas. Assim, além dos cariocas ficarem protegidos em suas casas, as ruas ficarão mais livres para que as equipes dos órgãos públicos possam se locomover com mais facilidade e agilizar seu trabalho", disse o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que se reúne com representantes do governo federal, nesta quarta-feira (07/04), para pleitear recursos para obras de contenção de encostas, drenagem de rios e reassentamentos.
Twitter
Mais uma vez, as mídias sociais foram o espaço mais usado pelos internautas para a troca de informações sobre os acontecimentos relativos ao temporal que abalou o Rio de Janeiro. No Twitter, as tags #chuvanorio e #caosnorio ficaram entre os assuntos mais comentados no Trending Topings brasileiro e, desse modo, permitiu que as pessoas pudessem acompanhar o que era postado sobre o assunto.
Apesar do próprio @realwbonner já afirmar em várias entrevistas que a sua conta no Twitter não possui caráter jornalístico e/ou informativo – pois ele a usa como passatempo, foi graças a um post de William Bonner que eu, daqui de Minas Gerais, pude entender a proporção da chuva que começou na noite dessa segunda-feira (05/04) e se transformou numa verdadeira tempestade durante toda terça-feira (06/04).
Logo depois, vários internautas começaram a repercutir a enchente e mostrando a força do jornalismo colaborativo. O próprio Jornal Nacional, da TV Globo, se rendeu a essa “ajuda” dos telespectadores e exibiu imagens e relatos dos telespectadores.
Iniciativa
Há uma expressão muito usada no jornalismo, que diz, entre outras coisas, que “jornalista é jornalista 24 horas por dia e aos 45 minutos do segundo tempo”. Ou seja, não existe tempo ruim para produzir conteúdo, apurar ou pensar em novas abordagens na hora de trazer informações ao público.
E na edição dessa terça-feira (06/04) do Jornal Nacional, da TV Globo, o jornalista e apresentador Márcio Gomes, deu um exemplo de que tudo pode ser um pauta, ainda mais numa época em que uma câmara amadora pode estar acoplada em um celular, por exemplo. Veja o vídeo abaixo:
Difícil começar a falar de Chico Xavier – O Filme, sem mesmo antes mencionar a expectativa do público na fila da sala de cinema, em Belo Horizonte (MG). Pessoas de várias idades e dos mais variados credos vieram prestigiar o lançamento nacional do filme que coincide com o ano de aniversário de 100 anos do médium mineiro, natural de Pedro Leopoldo (MG) e que passou os últimos anos da sua vida em Uberaba (MG). Gente que queria entender um pouco da grandiosidade desse homem que influenciou o espiritismo brasileiro.
“Estou ansiosa pelo filme! Chico Xavier mudou a minha vida e acredito que mudou a vida de muita gente. Um exemplo de bondade e de fé para toda a humanidade”, diz a funcionária pública Antônia Neiva dos Santos, de 47 anos, que relata emocionada a oportunidade que a tia teve, há muitos anos atrás, de receber uma carta psicografada de Chico quando o primo morreu, aos 22 anos de idade, em um acidente de carro. “Para nós da família, foi um alívio muito grande saber que meu primo estava bem e que a vida continua do outro lado”, diz Antônia.
“Para falar a verdade, não acredito nessas coisas. Acredito em Deus, mas não gosto desse lance de espírito. Vim mais por causa da minha namorada que ficou insistindo para ver o filme”, conta o estudante de direito, Ronaldo Moura, de 23 anos, que afirma ser católico não-praticante. No final do filme, fiz questão de procurar Ronaldo para perguntar o que achou do filme.
Meio arredio, ele topou falar comigo novamente. “Excelente. O filme me emocionou várias vezes...e o bacana é que não quis converter ninguém ao espiritismo, mas sim homenagear um grande homem que fez o bem durante a vida”. Já Antônia, muito emocionada, não se conteve em lágrimas. “Para quem já perdeu entes queridos, esse filme traz um conforto muito grande...é uma bela homenagem ao Chico, sem dúvida alguma”, diz. Então, depois desses depoimentos, vamos à crítica de Chico Xavier – O Filme. Boa leitura!
Cine biografia
Chico Xavier – O Filme é um longa-metragem baseado no livro escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior, intitulado “As Vidas de Chico Xavier”, publicado no ano de 2003, e considerado uma das melhores biografias do médium mineiro Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier.
No elenco do filme, nomes consagrados da teledramaturgia nacional, como Nelson Xavier, Ângelo Antonio, Matheus Costa, Pierre Baitelli, Christiane Torloni, Tony Ramos, Cadu Favero, Paulo Goulart, Pablo Sanábio, Gláucia Rodrigues, Cássio Gabus Mendes, Guilherme Fontes, entre outros. Assista abaixo o trailer:
A direção ficou por conta de Daniel Filho – experiente diretor de TV e cinema, que soube trabalhar a imensidão de Chico Xavier de uma forma humana, digna e que trouxe emoção ao público, sem fazer uma apologia panfletária ao espiritismo. O que me causou estranheza, como mineiro, foi o fato do filme ter sido gravado em Tiradentes (MG), e não em Pedro Leopoldo (MG). Por mais que a intenção seja valorizar a arte e arquitetura mineira, creio que é uma falta de respeito ao povo daquela cidade que não se viu retratado no filme.
O roteiro de Marcos Bernstein, muito bem pontuado com os principais acontecimentos da vida do médium, apresenta a história de Chico a partir do programa “Pinga Fogo”, da TV Tupi, que foi uma atração importante para dar visibilidade nacional ao trabalho já realizado do médium, além de ser o primeiro programa de TV do Brasil onde foi realizada uma psicografia ao vivo.
No YouTube, é possível conferir vários trechos desse programa histórico, que mostra um Chico Xavier humano, bem humorado e, ao mesmo tempo, preocupado em levar as pessoas palavras de fé e otimismo. A reconstituição do programa feita no filme é impressionante, principalmente pela riqueza de detalhes.
Outro ponto forte é o trabalho de caracterização e figurino, realizado respectivamente por Bia Salgado e Rose Verçosa, que durante todo o longo, nos faz acreditar de forma fiel que os atores Nelson Xavier e Ângelo Antonio são “clones” idênticos do médium.
E essa caracterização tão fiel fica mais evidente em Nelson Xavier, que não só na aparência física, mas na fala e no gestual, que se assemelham muito aos trejeitos de Chico. Depois da filmagens, em entrevista coletiva, o ator Ângelo Antonio afirmou que teve que usar algodão na boca, pois a caracterização do personagem foi pensada nos mínimos detalhes, pois Chico era prognata – pessoas que possui a mandíbula proeminente.
Guia Espiritual
Assim que Chico Xavier começou a se entregar nos estudos do espiritismo, Emmanuel se manifestou para o médium como o seu guia espiritual. O que vale ressaltar no filme, é como Emmanuel é mostrado meio debochado, e às vezes até autoritário com Chico, mas sem deixar de lado o tom protetor e afável.
Pelo menos para mim, que sou fã da biografia de Chico, houve uma desconstrução, pois Emmanuel se mostra como um ser bem objetivo, que tem como missão ajudar Chico a escrever os 412 livros e a construir a sua obra de caridade.
Quando falo em desconstrução, falo dessa visão barroca que temos do anjo da guarda. Vejo Emmanuel como uma espécie de anjo da guarda, que criticava, guiava, mas que também nutria grande amor pelo seu protegido. Ouça o podcast abaixo feito pelo repórter Ricardo Daehn, do Dzaí, no qual entrevista o ator André Dias que interpreta Emmanuel no filme:
Emoção
A sabedoria popular fala que “não existe amor maior no mundo que o amor de mãe”, certo? E essa observação do senso comum ganha profundidade e debate durante todo o filme, mais precisamente, em dois momentos: o pequeno Matheus Costa – que interpreta Chico Xavier quando criança, emociona pela simplicidade do olhar e por dedicar um amor incondicional a saudade da mãe, que tanto faz falta durante os seus primeiros anos de vida.
Não tem como não se emocionar com a interpretação de Mateus e Letícia Sabatela – que vive o espírito da mãe de Chico, que o consola das maldades de que ele é vítima, como as garfadas na barriga dada pela madrinha dele, interpretada brilhante por Giulia Gam, que não gostava que Chico se comunicasse com o outro mundo.
Já a segunda emoção fica por conta das mães, que já na fase madura de Chico, quando ele psicografa, procuram conforto nas cartas que ele transcreve do além. Apesar de não aparecer isso diretamente no filme, acredito que Chico começava todas as suas cartas-psicografadas com “Querida mãezinha”, por exemplo, numa mostra de estilo e carinho, e não necessariamente, que todos os espíritos começassem a ditar as cartas dessa forma. E uma das histórias contadas no filme mostra, justamente, como uma carta psicografada pelo médium mineiro, feita de forma totalmente involuntária, e que pôde salvar um inocente de um julgamento precipitado.
No final do filme, outra curiosidade: na sala de cinema lotada, no dia de estréia (02/04) do filme – e que também foi comemorado o Centenário de Chico Xavier, todas as pessoas continuaram sentadas nos seus lugares, enquanto os créditos eram exibidos.
É que ao lado “das letrinhas que subiam”, Daniel Filho, brilhantemente, colocou trechos das entrevistas de Chico Xavier, ao programa “Pinga Fogo”, da TV Tupi. Em toda minha vida foi a primeira vez que vi uma sala de cinema lotada conferir o filme até o final, rindo e se emocionando de uma maneira tão transparente. Com certeza, é um dos melhores filmes brasileiros já produzidos. Vale a pena conferir!
Jornalista pós-graduado em Rádio e TV, especializado em mídias sociais e jornalismo online. É editor do blog Café com Notícias e repórter do portal do Canal Minas Saúde. Também atua como professor do curso de extensão "Blogs e Redes Sociais", do UniBH.