segunda-feira, 30 de março de 2009

Caricatura, charge, cartoon no mundo da Comunicação


Quem nunca viu um desenho em jornal e revista que, geralmente, unem opinião e humor nos traços? Utilizado como um meio editorial para expor a opinião do veículo sobre um determinado fato, além de ser um instrumento para criticar de forma bem humorada um acontecimento ou comportamento social, a charge, o cartoon e a caricatura são expressões artística que estão lado a lado do jornalismo e da comunicação.

Atualmente, programas de televisão e telejornais também tem dado espaço para esse tipo de manifestação cultural. Alguns ilustradores famosos como Millôr Fernandes, Henfil, Quinho, Ziraldo, Duke, Lute, Chico Caruso, Cláudio Paiva, Angeli, Laerte, Jaguar, e tantos outros, possuem inúmeras passagens na mídia impressa e eletrônica com vários trabalhos de sucesso.

Só para citar um exemplo, quem nunca ouviu falar do famoso jornal O Pasquim, lançado em 1968, que foi um fervoroso crítico da Ditadura Militar e ajudou a revolucionar a mídia com as suas tiradas de crítica e bom humor, hein?

Mas, é na internet, principalmente em blogs e sites de humor, que essa arte ganha mais notoriedade e ajuda a revelar novos ilustradores. Há alguns anos atrás, nos intervalos dos filmes ou seriados, a TV Globo fazia uso de charge e cartoons nas vinhetas para indicar o o breack comercial da programação.

No Big Brother Brasil, o ilustrador Maurício Ricardo é o desenhista responsável por criticar de forma bem humorada as situações que envolvem os heróis da nave louca de Pedro Bial e do diretor Boninho.

Já a MTV Brasil, que criou há alguns anos a Drogaria de Desenhos Animados - uma espécie de departamento responsável pelas animações audiovisuais da emissora, vem lançando uma nova safra de desenhos animados nacionais com apelo para o público juvenil, que são exibidos semanalmente em horário nobre, como por exemplo a Mega Liga de VJs Paladinos, Fudêncio e seus amigos, Rockstar Ghost e The Jorges.


Mas, você sabe a diferença entre caricatura, charge e cartoon? Acompanhe abaixo as definições:


Caricatura: vem da palavra caricare, de origem italiana, que significa carregar - no sentido de aumentar algo em proporção. É um desenho de uma pessoa ou personalidade, que enfatiza as características pessoais de uma forma bem humorada, dando evidência para detalhes da fisionomia, gestos, vícios e hábitos particulares.

Charge: vem da palavra francesa charger que significa carga - no sentido de exagerar nos traços do caráter de alguém ou de algo para provocar humor e reflexão. É um estilo de ilustração que satiriza, por meio da caricatura, algum acontecimento atual com um ou mais personagens envolvidos. Muito utilizadas em críticas políticas ou de situações do cotidiano atual.

Cartoon: tem sua origem da palavra italiana cartone (cartão, no sentido de pedaço de papel). Chamado também de cartune ou cartum é um desenho humorístico acompanhado ou não de legenda, de caráter extremamente crítico, que retrata de uma forma sintetizada, algo que envolve o dia-dia de uma sociedade, muito ligado à ações de comportamento, por exemplo. Geralmente, os temas do cartoon são atemporal e universal, pois não retrata, necessariamente, fatos ou acontecimentos da atualidade. Outra curiosidade é que esse termo também se refere a coletânea de séries de desenho animado e curtas-metragens audiovisuais produzidos originalmente pelo Cartoon Network Studios em parceria com a produtora Hanna-Barbera.


Café e desenhos


Aqui no Café com Notícias, desde o segundo semestre de 2008, o blog conta com os desenhos produzidos pelo ilustrador Daniel Paiva para realçar os posts, trazendo humor e reflexão. O último trabalho dele foi uma caricatura do meu rosto e uma outra minha e de Letícia Castro (jornalista e editora do blog Babel Ponto Com e Master New Media - Brasil), oriunda de uma foto de quando participamos do II Congresso de Jornalismo da Revista PQN. O desenho foi encomendado para presentear a Letícia que comemora mais uma primavera de vida hoje. Feliz aniversário, Letícia!

Veja abaixo os desenhos:



Presente


Caso você queira também dar um presente diferenciado para alguém ou se cansou de ter uma foto batida do seu profile de Orkut ou MSN e queira fazer algo exclusivo, diferente de todos os seus amigos, porque não fazer uma caricatura do seu rosto e colocar no perfil, hein? Tenho certeza que vai ser o maior sucesso entre todos os seus amigos. Encomende agora mesmo uma caricatura ou charge com ilustrador Daniel Paiva. Mas antes, passe no Charge Brasil e confira os últimos trabalhos publicados por ele.



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quinta-feira, 26 de março de 2009

Café Entrevista - Os desafios de trabalhar com comunicação institucional e política


Estreitar o contato entre a administração de uma cidade e a população, sem esquecer de organizar a comunicação entre os funcionários públicos e a imprensa. Esse é um breve resumo do trabalho da assessoria de imprensa que responde por uma gestão pública. Mas, como será o trabalho da comunicação institucional de um município? E ainda, quais as dificuldades de se fazer a comunicação em uma cidade pequena?

Há pouco mais de um mês à frente da assessoria de imprensa da cidade de Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o jornalista mineiro Renato Ribeiro, de 27 anos, torcedor fervoroso do Atlético-MG, está com um grande desafio profissional. Ele foi contratado para ajudar a formular uma nova comunicação para a cidade, fidelizar um relacionamento com a imprensa, além de aproximar o público do dia-dia da Prefeitura.

"A comunicação é um mundo mágico. Gosto muito de todas as áreas - rádio, TV, internet, etc., mas tenho um carinho especial pelo jornalismo impresso. Apesar disso, foi na comunicação institucional que encontrei meu espaço. No momento, é a área que mais me interessa", admite.

Renato sempre atuou em assessoria de imprensa: já passou pela Fiat, Petrobrás e Prefeitura de Nova Lima - que é inclusive a cidade natal dele e o local onde reside atualmente. Formado em 2007 pelo Uni-BH, Renato acredita que o jornalismo é uma mistura de informação, conhecimento, vida e, por, isso optou por essa carreira. "É um campo de atuação que possui a missão de levar a notícia de interesse público aos cidadãos.

Por ser uma área que lida diretamente ligada ao conhecimento como um todo, a informação e a prestação de serviço são fundamentais para que o jornalismo alcance a sua plenitude", conta. Além disso, ele é fã da Rádio CBN e do jornal Folha de São Paulo e garante que são duas boas opções de jornalismo, embora diferenciados, mas com uma postura analítica e informativa.

Como boa parte dos jornalistas, ele lamenta que a profissão ainda é pouco valorizada e muito romatizada pela sociedade. Perguntado sobre o que mudaria no jornalismo atual, Renato é enfático: "Se pudesse investiria em outros Protógenes, da Polícia Federal, para erradicar os barões do capital que divulgam as notícias conforme suas conveniências. Que fique claro que não concordo com alguns meios que o delegado usou para investigar os casos de corrupção".

Polêmicas à parte, o jornalista Renato Ribeiro topou conversar com o Café com Notícias sobre os desafios de trabalhar com comunicação institucional e política. E você que já é de casa ou está chegando agora, vá até a cozinha, pegue um café e acompanhe de perto o nosso bate-papo.

:: ENTREVISTA




1) A comunicação institucional em uma instituição pública e privada possui diferenças na hora de se pensar uma ação ou um planejamento de divulgação? Como se dá essa diferença, caso ela exista?

Há diferenças e são bem interessantes. A comunicação pública tem o compromisso de levar a informação a todo cidadão. É direito do cidadão, como está expresso na Constituição Federal, saber sobre as ações de determinado órgão público. E é a comunicação que deve estabelecer a intermediação desse relacionamento, o que se dá por meio de ferramentas de comunicação como jornais impressos, internet, TV e rádio. A comunicação de instituições privadas, por sua vez, defendem interesses da própria empresa. Embora tenha de ter responsabilidades para com o cidadão comum, o foco dela é mais voltado para o sucesso da organização. Por isso, trabalha mais com públicos específicos, como os funcionários, a imprensa e empresários.


2) Na sua carreira, você já teve que administrar uma crise de imagem institucional ou uma "série de bombas" que determinados veículos soltaram a respeito do seu assessorado? Se já, conte como foi. Caso não, descreva o que você faria.

Felizmente, ainda não aconteceu nada de grave. Caso aconteça, a melhor saída é encarar o problema de frente e marcar uma coletiva com a imprensa. Fingir que nada aconteceu, é o pior a fazer. De preferência, é importante falar o assunto de uma vez só. Por outro lado, quando acontece uma coisa positiva, é interessante falar o assunto de maneira "picada".


3) Para você, jornalista consegue produzir conteúdo informativo dentro da assessoria de imprensa? Como se é pensado os produtos de comunicação da organização que você trabalha? Há um público alvo ou apenas atende a demanda da imprensa ou interna? Descreva.

Claro que é possível fazer conteúdo informativo dentro da assessoria de imprensa. Na Prefeitura em que trabalho, as ferramentas são pensadas de acordo com o interesse público. Vira notícia o que de fato vai beneficiar a população. A Prefeitura existe para servir o povo e é nesse sentido que se estabelece o trabalho da área de comunicação. Por meio de releases (sugestões de pautas que são enviadas à imprensa), faço contato com os jornalistas que, eventualmente, publicam a notícia. Vez ou outra, tenho a satisfação de ler uma notícia, por exemplo, de um curso da área cultural que a Prefeitura oferece gratuitamente na cidade. Nesse caso, acontece uma dobradinha positiva: Prefeitura e imprensa trabalhando a favor da cidadania.


4) Representar uma instituição pública demanda muita responsabilidade. Como é o seu trabalho como assessor de imprensa? A assessoria que você trabalha possui um bom relacionamento com meios de comunicação locais e estaduais? É fácil plantar um release hoje nos veículos ou a grande mídia só está preocupada em noticiar tragédias?

A comunicação institucional trabalha diretamente com a imagem e a identidade da organização. Imagem é o que as pessoas pensam a respeito do órgão; identidade é o que a empresa é de fato. Além disso, o trabalho como assessor de imprensa (ou comunicação) abrange, basicamente, três públicos: o interno (servidores), o externo, que é o principal (a população), e os específicos (como a imprensa). Tem a missão de divulgar, por exemplo, as atividades da Prefeitura, seus serviços, suas contas. Tudo com o objetivo efetivo de beneficiar o cidadão, sobretudo aquele que mais necessita do trabalho do governo.

O relacionamento com a imprensa, por sua vez, está no começo. Indo bem até agora. No entanto, tem de ter muito jogo de cintura. É necessário, por exemplo, ter cuidado no trato do público x privado. Já em relação aos
releases, acredito que há espaço para tudo - embora as notícias ruins prevaleçam. Quando a matéria é verdadeiramente de interesse público, como geralmente são os releases de uma administração pública, não vejo muitas dificuldades em vê-la publicada. Mas também não é nem um pouco fácil - que fique claro. Digamos que é preciso aliar boa notícia e bons contatos.

5) Recentemente, você foi contratado para a gestão da comunicação da Prefeitura do município de Raposos. Como tem sido essa tarefa? Relate as dificuldades e facilidades de se pensar a comunicação institucional de um município pequeno? Como se foi pensado o novo site?

É mais um desafio. As dificuldades são muito grandes. Tem de trabalhar dentro da realidade do município, ou seja, com poucos recursos. A comunicação foi pensada no sentido de estreitar a relação da Prefeitura de Raposos com a população. Dentro desse planejamento, estabelecemos o uso de algumas ferramentas de comunicação, como o novo site da cidade, que vai ao ar na próxima segunda-feira (30/03). Ele foi pensado da maneira bem simples, de modo que qualquer cidadão possa ter acesso a serviços, como o IPTU Online e as principais notícias da cidade. Também teremos galeria de imagens, história do município, curiosidades, enquetes, previsão do tempo, etc. Encaro, na realidade, como uma grande oportunidade de desenvolver um bom trabalho de comunicação.





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segunda-feira, 23 de março de 2009

Jornal institucional do Shopping Oiapoque faz primeiro aniversário


Quando recebi o convite para redigir o Jornal Institucional do Shopping Oiapoque vi que estava diante de um grande desafio. Afinal, o Oiapoque precisava melhorar o seu relacionamento com o público interno e externo – e o trabalho não seria fácil. Foram três meses de pesquisa com os lojistas, público, administração e algumas reuniões até que conseguíssemos definir como seria a proposta do Jornal. A ideia já era um sonho antigo do publicitário Carlos Oliveira, proprietário da Avante Comunicação, e que também é lojista do Oiapoque - no qual eu havia recebido a missão de dar um tom mais jornalístico ao projeto. Para quem não conhece, o centro comercial nasceu há cinco anos atrás, com a proposta de ser um local que abrigasse os antigos camelôs das ruas de Belo Horizonte. Hoje, esses camelôs se tornaram lojistas e empreendedores de sucesso.

Em um primeiro momento, Carlos ficou responsável pelas fotos e pela diagramação. E eu pelo texto, produção das matérias e de todo conteúdo do jornal. Mais tarde, a design gráfico Letícia Uematu somou-se ao projeto como diagramadora, e deu vida nova a publicação. Outro colaborador importante é o ilustrador Ash, que é lojista do Shopping Oiapoque, e que publica mensalmente o seu desenho, sobre temas relativos ao centro comercial, como forma de dar visibilidade ao trabalho dele. Além disso, criamos uma parceria com a Polícia Civil de Minas Gerais para divulgação de fotos de pessoas desaparecidas, que mostra a nossa preocupação editorial em oferecer conteúdo dentro desta proposta informativa de falar sobre o Oiapoque. Foram muitas vitórias e várias descobertas.

Confesso que fazer o jornal é um exercício de reportagem misturado com a visão de comunicação institucional. Claro, a publicação tem seu caráter de falar de tudo relacionado ao shopping. Mas, todos os meses, o jornal é feito por meio de conversas com os lojistas e a administração sobre assuntos que despertam a curiosidade de quem freqüenta o local. Ao ler o primeiro jornal e hoje quando lemos a décima segunda edição percebo o quanto o Shopping Oiapoque mudou – e muda para melhor. Para mim como jornalista, o jornal me ensina a cada publicação que a comunicação organizacional pode produzir conteúdo informativo de qualidade e de prestação de serviço. Peço licença para mudar o formato textual e publicar, em primeira pessoa, a minha emoção de ajudar a escrever a história deste centro comercial. Agradeço a administração do Shopping Oiapoque e Avante Comunicação que me propuseram estar à frente desse projeto. Que venham mais e mais aniversários!


-> Veja algumas fotos do Shopping Oiapoque:

- Clique aqui para ver mais fotos do Shopping Oiapoque.
Crédito das fotos: Wander Veroni.



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PROMOÇÃO CULTURAL TOP COMENTARISTA

O Café com Notícias premiará, uma vez por mês, em forma de homenagem, o comentarista mais assíduo do blog e que faz do seu comentário um momento para uma troca de idéia inteligente e elegante. Participe! Seja um comentarista top, não só aqui no Café, mas em toda blogosfera. Fique atento a distribuição de pontos e as regras, boa sorte. Clique aqui para saber os detalhes e o regulamento dessa promoção.

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Clodovil Hernandes - ícone que fez história na moda, televisão e política


"Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo: já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa, é da expressão 'decoro parlamentar'. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o país! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso." Primeiro discurso na Câmara dos Deputados, em 2007.




Ícone da TV brasileira: apresentador, estilista e deputado federal. Morre, aos 71 anos, Clodovil Hernandes, vítima de AVC e parada cardiorrespiratória. Sinceramente, a TV brasileira só de tê-lo afastado há algum tempo, já sofria da sua ausência. Agora, apenas a memória, críticas e o bom gosto dele se fazem presente. Não há como não lamantar a morte desse importante artista que, por não medir as suas palavras, ganhou notoriedade, respeito e o carinho do público. Uma trajetória política intensa, que começou em 2006, em meio há várias polêmica. A frase que ilustra o início deste post reforça a intenção dele de ir à Brasília para tentar mudar um pouco a política, mesmo que seja uma voz isolada, mas não calada.

Clodovil fez projetos de leis interessantes sobre a postura da sociedade - que infelizmente ainda não foram votados, mas que precisam ser discutidos na sociedade. Em homenagem ao falecido deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, aprovou nesta manhã (18/03), um parecer favorável relativo ao projeto de Lei, idealizado por ele, que autoriza enteados adotarem o sobrenome de seus padastros. A matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados e depende agora de uma votação no plenário do Senado para se transformar em Lei. A relatora da matéria, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), pediu agilidade na apreciação do projeto e, junto de outros senadores, como uma forma de homenagear a figura póstuma de Clodovil. Para quem quiser saber um pouco mais sobre o trabalho dele como deputado federal, clique aqui e acesse o blog do deputado.

Tudo bem: amados por uns, odiado por outros. A polêmica sempre fez parte da vida de Clodovil. Ele brigou com vários artistas, políticos e celebridades. Também fez amizades e foi um dos poucos comunicadores que se propôs a fazer uma TV de qualidade. Quem não se lembra do extinto vespertino "A Casa é Sua", entre 2003 e 2004, sob o comando de Clodovil Hernandes. De longe - e sem falsa modéstia, a Rede TV!, nos seus quase dez anos de existência, não teve até hoje um programa com a mesma qualidade editorial e de produção.


Para quem não se lembra - ou não teve oportunidade de assitir, o "A Casa é Sua" vinha de uma linha que explorava à exaustão a fofoca e a leitura de revistas do mesmo gênero, durante mais de quatro horas seguidas. O programa foi apresentado anteriomente por Sônia Abrão e Leonor Corrêa. Com a entrada de Clodovil à frente da atração ele redesenhou todo o programa e o transformou na sua casa, literalmente. Criou quadros e, praticamente, fez a atração ressurgir das cinzas. Clodovil, ao lado da empregada Ofrásia, faziam esquetes improvisadas, divertidas e até irônicas. E era com a empregada, com o quadro "Fuxico na Cozinha", que a fofoca tinha um breve espaço no programa.

Outro quadro muito querido pelos telespectadores era os seus editoriais, no início do programa: sempre muito polêmico com temas atuais ou que comentava assuntos da área cultural, principalmente de música, teatro ou cinema. A "Hora das Flores", outro quadro de bastante sucesso do programa, era um momento em que ele criava um arranjo de flores, sempre com plantas diferentes, para presentear uma personalidade. Era nesse quadro que Clodovil fazia um arranjo sempre ouvindo uma boa seleção musical - e o mais interessante era que o quadro dava a oportunidade de resgatar gêneros musicais ou artistas até então esquecidos do grande público.


E por falar em música, era o som instrumental da "Aquarela do Brasil", que Clodovil iniciava o programa para todo Brasil. Era o momento da frescura, como ele mesmo dizia. Dançava com as mãos imitando o gesto clássico de Carmem Miranda e saudava o Brasil - terra tão querida que precisa ser mais valorizada pelos próprios habitantes. Era nessa parte do programa que Clodovil interagia também com a jornalista Joana Matushita para ler e-mails dos telespectadores ou para apresentar as últimas notícias, de um modo geral. Ao lembrar do programa de Clodovil, se compararmos com as atrações que temos hoje na TV aberta, vemos o quanto a falta de produção e de qualidade reina na televisão. Os programas vespertinos atuais promovem a imbecilização do público e da polemização de tragédias que nada acrescentam na nossa vida.

Na época em que o programa do Clodovil passava eu era estudante de jornalismo. Não assistia o programa por causa do estágio, mas sempre quando podia ou era feriado eu dedicava algumas horas para assistí-lo. Na verdade, não era nem assistir. Como sou um inveterado fã de produção de conteúdo para mídia eletrônica, assistia o programa fazendo anotações, como até hoje faço com os programas que possuem bom acabamento editorial.

Assistir o Clodovil na TV era aprender, mesmo que de longe, um pouco de produção e apresentação de programa ao vivo. E, acima de tudo, que se é possível fazer uma TV aberta comercial respeitando a inteligência do público, sem perder o bom gosto - coisa rara, atualmente. A briga pela audiência deixou os produtores de conteúdo loucos por números no Ibope, e não por telespectadores. As emissoras de TV, principalmente no horário vespertino, não oferecem conteúdo, só inutilidades. E se tem algo que precisa ser martelado, aproveitando a deixa da morte de Clodovil, é justamente isso: aonde está a qualidade da televisão?


Perdemos um ícone que lutou, até o seus últimos dias na frente de um programa, por respeito ao telespectador e por valorizar a audiência dele ao máximo. A ida de Clodovil deixa um vazio. Perdemos alguém que estava disposto a alfinetar e para falar no ar o que os comunicadores sabem, mas tem medo de dizer. Alguns vão dizer que Clodovil não era "flor que se cheire". E quem não é? O próprio assumia que não era santo. Uma das suas frases mais famosas explicava muito bem isso: "Clodovil: Clô para os íntimos, Vil para os inimigos e Dô para que eu quero". Polêmico em suas declarações, mas transparente para dizer o que sentia. Ninguém é obrigado a gostar de niguém, mas no mínimo deve-se respeito. E não respeitar o legado dele é tolice.

Quando se chega em uma certa idade em que a experiência e a vivência falam mais alto, a franqueza de pensamentos se sobressai. Quem tem parentes mais velhos na família sabe que os idosos falam o que pensam e possui uma sabedoria que não está no livro ou na escola. É assim que eu via Clodovil: um homem que via um monte de coisas erradas, um mundo cheio de valores trocados e que ficava "puto" com tudo isso. Lógico: ele tinha seus defeitos. Era humano e uma pessoa, aparentemente, difícil de se conviver porque exigia dos outros a mesma qualidade que exigia para si. Errado ou certo era a verdade que ele acreditava.

Clodovil durante toda vida lutou pela sua verdade. Falou o que pensava. Comprou brigas e se quisesse trilhar um caminho mais "fácil", poderia ter feito diversas vezes o "jogo do contente". Mas ele preferiu ser ele mesmo e fez a diferença. E pelo fato do Café com Notícias ser um espaço para falar de comunicação, o blog presta as suas últimas homenagem ao comunicador Clodovil Hernandes que fez da arte e da oratória o seus sustento e meio de vida. Adeus, Clô! Você vai deixar saudades.


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Wander Veroni
Jornalista


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segunda-feira, 16 de março de 2009

BR 381 - a rodovia que mais mata em MG


Os números impressionam. Estariámos diante de uma guerra? Infelizmente, não. Só se for uma "guerra" de interesses particulares, e não do público. Somente em 2008, na BR-381, 277 vidas foram perdidas em acidentes. Tragédia após tragédia rendeu à estrada o nome de "rodovia da morte". Uma das partes mais críticas, que liga Belo Horizonte (BH) ao litoral capixaba, é o caminho de 110 km que vai até João Molevade, onde curvas perigosas e buracos na estrada são verdadeiros desafios aos motoristas.

Neste mesmo trecho, só no ano passado, foram registradas 88 mortes que não foram capazes de sensibilizar as autoridades para a duplicação dessa importante rodovia que sofre do descaso do tempo e do poder público.

Na noite desta última quarta-feira (11/03), um acidente matou seis ocupantes de uma van na BR-381, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Quatro das vítimas eram estudantes universitários que retornavam das aulas na capital mineira. Outras 13 pessoas sofreram ferimentos e foram encaminhadas aos hospitais de Pronto-Socorro João XXIII, Odilon Behrens e Risoleta Neves.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a van Sprinter placa GVQ-2696, de Caeté, bateu de frente com o caminhão placa DAH-6020 (Jundiaí-SP), no km 435, da rodovia. Várias testemunhas afirmaram que o caminhão, que seguia no sentido BH e estava carregado com vergalhões, passou desgovernado em uma curva e invadiu a contramão. Para piorar ainda mais a situação, o filho do condutor da van estava em outro veículo, logo atrás da Sprinter, e viu o momento do acidente do próprio pai e foi a primeira pessoa a ajudar no socorro dos feridos.

O que será preciso acontecer de mais grave para que se tome uma providência perante a situação crítica, não só desta estrada, mas de toda malha rodoviária do Brasil? Será que vai ser preciso um filho de um político ou um familiar de um importante empresário morrer em um acidente para comover a opinião pública e pressionar as nossas autoridades?

As vítimas desse acidente da van foram os estudantes Ranaly Peres de Castro Rosa, de 21 anos, Alberty Silva Syrio, de 23, Fernanda Cristina de Melo Rodrigues, de 19, e Osvaldo de Pádua Santos, de 20. Eles foram sepultados em cemitérios de Caeté. A universitária Lígia Aparecida Costa Pereira, de 27 anos, faleceu às 5h da manhã, deste sábado (14/03), no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, onde estava internada desde a quinta-feira (12/03).

A jovem teve uma parada cardiorrespiratória e foi enterrada na manhã deste último domigo (15/03). Como deve ser triste para um pai ver o filho tão jovem morrer. São sonhos que acabaram por causa do descaso de um estrada e da falta de atenção de um motorista imprudente.

O problema já chegou a nossa porta e não foi preciso um familiar ou amigo morrer para nos chocar. Vidas e sonhos são perdidos todos os dias nessa rodovia. Como uma estrada pode fazer tantas vítimas e chegar, em alguns momentos, ser comparada a uma guerra? Claro, o acidente só reforça o descaso que há na estrada.

Mas existem vários outros problemas, como buracos, a falta de atenção dos motoristas, o uso de bebida alcóolica no volante, caminhões que tranportam toneladas de produtos sem a menor preocupação com a segurança e sem contar com a poeira e o pó de minério que, em temporadas de calor, deixam algumas estradas de Minas Gerais sem qualquer condição de uso. Será que o pedágio é a única solução? E o dinheiro dos nossos impostos que deveriam ir para estradas: esse montante vai para aonde?

As estradas estão matando pessoas e a sociedade assiste aos casos indignada. E isso não é uma questão de criminalidade, mas sim de bom senso para evitar que entra ano e sai ano, cada órgão responsável não assuma o problema e fica um jogo de empurra-empurra.

O Café com Notícias está de luto hoje em repeito não só as vítimas da tragédia da semana passada, mas por todos aqueles que, de alguma forma, tiveram parentes ou amigos que passaram por essa dor de perder alguém no trânsito. Até quando Minas Gerais vai querer esse título de rodovia da morte para a BR-381?





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Jornalista

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sexta-feira, 13 de março de 2009

O que é um Feed e o que ele pode fazer por você?




Ele está por toda internet. Seja em blogs ou em sites, o Feed ou RSS é aquele ícone laranjado com riscas brancas, que estão no canto pedindo para o leitor assiná-lo. Mas, para que serve o Feed? O que ele pode fazer para me ajudar, seja como internauta ou produtor de conteúdo?

Mas antes de explicar um pouco desse interessante aplicativo, quero lhe fazer uma pergunta: você assina o Feed do Café com Notícias? Não? Então, depois desse post espero que você sinta vontade de subscrever-me.

Muitos leitores do Café, nessas últimas semanas, me perguntaram como utilizar um Feed ou para que ele serve. Pensando nisso, o blog resolveu dar algumas orientações para o internauta que ainda não descobriu a funcionalidade desse aplicativo. Lembrando que essas dicas são de acordo com a minha experiência e que existem uma infinidade de recursos e funções.

Para os usuários da plataforma Blogger, o recurso de Seguidores, funciona como uma espécie de Feed, no painel de controle do blog. Lá, o blogueiro consegue receber atualizações dos blogs preferidos, do mesmo jeito que no Feed. Se você quer saber mais sobre esse recurso, leia o artigo Seguidores do Blogger se integram ao Google Friend Connect.

Só para ativar a memória - ou mesmo para quem não conhece, o Feed, nada mais é, do que um "alimentador" de conteúdo - que inclusive é a tradução da palavra, em inglês. Ou seja, por meio de um endereço eletrônico, o aplicativo se "alimenta" de todas as atualizações recentes de blogs ou sites preferidos, mediante de uma breve inscrição.

Lembrando que, por uma questão estratégica, alguns webmasters oferecem apenas a sinopse do post (artigo/matéria) no feed para que o leitor sinta curiosidade em ir até lá no blog ou site para conferir na íntegra o conteúdo. Já outros autores, oferecem o conteúdo completo. Para entender o funcionamento do Feed, assista o vídeo abaixo:



É por isso que o Feed é tão importante: ele é uma espécie de apurador de conteúdo. Por exemplo: se você tem um blog de tecnologia, deve assinar o Feed de pelo menos uns dez blogs ou portais de notícias que tratam desse tema, até mesmo para você ter noção das novidades em torno desta editoria (assunto).

Toda vez que aparecer uma atualização, o leitor de Feed mostrará as últimas notícias em ordem descrescente. Ao mesmo tempo, serve como parâmetro para você ficar por dentro do que anda acontecendo sobre um determinado tema sem precisar ficar horas e horas navegando pela web, procurando uma ideia do que escrever para o seu blog, por exemplo.

Já para internautas, o Feed permite que você tenha mais comodidade para acompanhar um blog ou portal de notícias, sem ter que abrir um navegador - caso você tenha um agregador de notícias instalado e adicionado os feeds dos blogs ou sites que você mais gosta.

Outra dica é que a partir dos assuntos que são mais frequentes em uma determinada editoria, você pode pegar um gancho para escrever um post diferenciado e original. Lembrando, que o Feed trabalha com atualizações em manchete.

Para ver o post ou matéria é preciso clicar nela, onde a URL do título, o redirecionará para o site ou blog desse conteúdo. Muitos turoriais só ensinam como fazer um feed ou o porque de você colocar ele no blog ou site. Mas deixam a desejar, para o leigo, como é o seu funcionamento e o que ele permite fazer na vida do internauta.

Para os editores de um blog ou site, o Feed permite que você tenha um controle do número de leitores que acompanham o seu blog de perto. Um dos serviços mais usados na blogosfera é o FeedBurner, da Google, que também oferece ao internauta a assinatura do Feed via e-mail, por meio do sistema de newsletter, caso ele não queira instalar um agregador de notícias no computador. Inclusive, se você ainda não assina a newsletter do Café com Notícias, vá até a coluna da direita e inscreva o seu endereço de e-mail para receber todas as atualizações deste blog.



O Feed e o mundo das notícias


Existem vários programas na internet que oferecem esse leitores de Feed, gratuitamente. No Baixaki, por exemplo, há vários agregadores de notícias compatíveis com a realidade ou configuração do seu computador.

A minha dica pessoal é instalar o Google Desktop, que vem com vários outros aplicativos interessantes e, um desses é uma barra na lateral flutuante na esquerda ou direita do seu desktop (área de trabalho).

Lá, você pode adicionar o leitor de Feed e ter as atualizações do seus sites e blogs preferidos, na tela do seu computador. O que é muito mais cômodo, pois o internauta consegue ficar por dentro de tudo o que acontece relativo a um determinado assunto na web.

Para aqueles que não querem instalar nenhum programa no computador, o interessante é usar o sistema de leitor de Feed que já vem embutido em muitos navegadores, como o Mozilla Firefox e o Internet Explorer, por exemplo.

Quando um site ou blog possuírem esse recurso, o quadradinho ficará colorido. E, a partir disso, você pode adicioná-lo ao leitor de Feed. Quando um site ou blog não possui esse sistema, o ícone do Feed fica cinza ou simplesmente avisa que não é possível assinar este conteúdo.

Para quem trabalha com internet, principalmente com produção de conteúdo, saber usar o básico do Feed é fundamental para o trabalho de apuração e pesquisa em tempo real. Mas, para assuntos, que envolvam mais profundidade a dica ainda é usar os buscadores, como o Google, Alta Vista e Yahoo!, etc., por palavra-chave.

Pense nas palavras que tenham a ver com o assunto. A primeira vista, pode parecer um dica idiota, mas isso faz toda a diferença no filtro de sites que realmente tenham a ver com o que você pesquisa. Portanto, o Feed/RSS é uma ferramenta que contribui muito para o acompanhamento das últimas notícias de um determinado tema ou editoria e que pode fazer a diferença no seu dia-dia. Experimente!





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Wander Veroni
Jornalista

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Guerra pela audiência faz TV Alterosa repensar telejornalismo


A briga pela audiência fez com que as emissoras de TV mineiras repensassem a sua postura editorial em torno da produção jornalística. O caso que mais chama atenção no momento é o da TV Alterosa/SBT que resolveu tentar fugir um pouco da cobertura factual policialesca e investir mais em reportagens especiais e no jornalismo cidadão, voltado para a prestação de serviço.

A mudança que ainda é muito sútil - e que está acontecendo aos poucos, foi observada também pelo leitor do Café com Notícias, editor do blog Sem Fronteiras na Web e estudante de jornalismo Lucas Catta Prêta, que sugeriu a abordagem dessa pauta aqui no blog. Atento aos bastidores da imprensa mineira, o Café foi atrás de informações sobre as mudanças que aconteceram, primeiramente, nos bastidores da TV Alterosa/SBT.

Uma fonte, que preferiu não se identificar, confirmou vários indícios de mudanças e deu detalhes exclusivos em primeira mão. Além de ter problemas com audiência na grade - o que ocasionou o cancelamento de alguns telejornais, muitos profissionais da emissora passaram no concurso público da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A debandada fez com que a emissora remanejasse alguns jornalistas - sem o prejuízo da demissão, que é um fantasma assombrando qualquer empresa neste momento de crise econômica mundial.

O noticiário matutino Primeira Página saiu do ar, por tempo identerminado, para uma avaliação sobre o que seria um noticiário de manhã e quais características deveriam ser pontuadas para uma atração nesta faixa de horário. O telejornal da Alterosa vinha perdendo na audiência constantemente para o concorrente MG no Ar, da TV Record Minas, apresentado pelo jornalista Carlos Viana. Com isso o jornalista e apresentador Camilo Júnior volta ao Plantão do Jornal da Alterosa, em horário vespertino, e nas inserções no Jornal da Alterosa 2ª edição. Outro programa que saiu da grade da TV Alterosa/SBT foi o Alterosa Urgente, antigamente exibido na hora do almoço, logo depois do Jornal da Alterosa 1ª edição - que meses depois da reestreia recebeu o nome de AU.

Os profissionais do AU foram remanejados para a produção de outros programas. O antigo apresentador Ricardo Carlini é agora repórter investigativo de um núcleo de série de reportagem especiais da TV Alterosa/SBT. O sub-editor Juliano Azevedo, ficou no lugar do Laudeir Borges (concursado agora da ALMG) e a repórter Ethel Correia e a produtora Cíntia Neves passaram para a equipe do jornalismo da TV Alterosa/SBT. Já a Érica Gimenez que já havia sido remanejada para o Plantão vespertino, passou a ser editora-chefe e apresentadora do Jornal da Alterosa 2ª edição noturno - no lugar da antiga apresentadora Fernanda Moura, que passou no concurso da ALMG e tomou posse no mês de fevereiro, bem como a repórter Nathália Bini, o sub editor do Jornal da Alterosa 1ª edição, Laudeir Borges (que começou a carreira na TV Globo Minas) e Helena Barone que era editora e produtora do Vrum. Quem ficou no lugar de Helena é Ana Cristina Pimenta, antiga apresentadora do Jornal da Alterosa.

Já Rafael Martins, um dos repórteres mais criativos da emissora, passou a integrar a equipe do Alterosa Esporte (AE). Inclusive, a mudança de visual do Rafael lembra muito ao de Álvaro Damião - jornalista esportivo consagrado no esporte mineiro que trabalha na TV Record Minas e Rádio Itatiaia. Rafael, com um estilo mais moderninho, também participa ao vivo do Jornal da Alterosa 2ª edição para falar as últimas notícias do futebol mineiro. Ainda, o AE ganhou mais um produtor, o jornalista Rodrigo Lima - que atuava como apurador da redação. Quem também entra no núcleo esportivo da TV Alterosa/SBT é o reporter especial (e convergente) Jordy que também desempenha o trabalho de encaminhar informações ao site Super Esporte, do Portal Uai.

Com todo esse remanejamento de profissionais e a busca por uma outra identidade jornalística, a TV Alterosa/SBT se prepara para dar passos mais altos e se consolidar na vice-liderança - lugar que a TV Record Minas tomou, desde 2007. Vem muitas mudanças importantes que em breve irei publicar com exclusividade aqui no Café com Notícias, aguardem! Espera-se que os investimentos em produção e a nova postura jornalística seja para a formulação de um telejornalismo mais crítico e prestador de serviço. O que vemos atualmente nas TVs mineiras, na hora do almoço, é a falta de criatividade em novas abordagens ou propostas editoriais. A editoria policial, que predomina boa parte dos noticiários, é importante para mostrar que a violência é um grave problema social. Mas o jornalismo não é só feito disso. O telejornalismo precisa ir além: público, formadores de opinião e jornalistas, agradecem.


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terça-feira, 10 de março de 2009

Café em Debate - Religião, ciência, aborto e a discussão sobre a vida


Não é possível fugir desse assunto. As principais rodas de conversa, blogs, fóruns de discussão e redes sociais pela web ainda falam sobre esse caso que revoltou todo o Brasil. No dia 04/03, uma menina de nove anos de idade realizou um aborto na Maternidade Cisam, vinculada à Universidade de Pernambuco, no Recife. A criança foi abusada sexualmente pelo padrasto em Alagoinha (Pernambuco) e ficou grávida de gêmeos. De acordo com médicos, a garotinha corria risco de vida por não ter órgãos formados, além de psicologicamente, ser incapaz de administrar com maturidade a tarefa de ser mãe que geraria filhos de uma violência - sem contar o debate em torno do fato de uma criança gerar outra criança.

O caso é que a Igreja Católica excomungou a equipe médica e a mãe da menina, por serem coniventes com o aborto - e não o padrasto que fez o ato mostruoso. Mais uma vez a religião se confronta com a ciência - e neste caso o embate chega até ser moral. Por mais que qualquer religião seja a favor da vida, não se pode ser conivente com um estupro e falar que um é mais grave que o outro. Ambas ações possuem o seu peso legal e moral. Até o presidente Luís Inácio Lula da Silva, na última segunda-feira (09/03), em um evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher, chegou a comentar o caso da menina estuprada pelo padrasto. Lula disse que foi um absurdo tentarem impedir o aborto, que segundo os médicos, salvou a vida da menina.


Esta edição do quadro Café em Debate é uma sugestão da blogueira, amiga e vencedora da edição de dezembro/2008 da Promoção Cultural Top Comentarista, Suzana Martins, do blog Entre Marés. Indignada com a postura da Igreja Católica perante o assunto e, principalmente, pelo tabu moral e social envolvendo o ato do aborto, Suzana me escreveu sugerindo que o tema fosse discutido no Café com Notícias.

E você, o que acha dessa história? Religião versus ciência: quem vence a briga? A Igreja Católica deveria repensar o seu posicionamento diante de alguns fatos? Veja a opinião de alguns blogueiros sobre o assunto:


1) Suzana Martins, do blog Entre Marés:

"Estou completamente perplexa com toda essa situação. Eu podia jurar que essas coisas só aconteciam no século passado. A igreja resolveu excomungar a equipe médica, a família e uma criança de nove anos só porque obtou pelo aborto, pois a criança em questão não tinha condições de gerar um filho. Em que época do mundo estamos vivendo onde um padrasto, que comete um crime desses, é completamente salvo das palavras brutais desse tal homem de Deus? Padres que condenam jovens que tem relação sexual antes do casamento, discriminam gays, mas enquanto isso eles cometem pedofilia, bigamia, preconceito, mas estão lá no altar condenando aqueles que tem opinião própria. Eu continuo sendo a favor da legalização do aborto".

2) Daniel Leite, dos blogs Repercutiu e Por Dentro do Mundo da Bola:


"A chave para solucionar o dilema do aborto está intimamente ligada ao bom senso. Por mera convicção religiosa, sou contra a prática quando falamos de um modo natural de gravidez, proveniente (ainda que indesejadamente) de um ato sexual espontâneo de ambas as partes. Quanto à questão da excomunhão em Pernambuco, considero a atitude da Igreja plenamente equivocada. Não analisar o acontecimento com o caráter excepcional que ele merecia representou uma inversão de valores. A instituição ficou olhando permanentemente para o feto e virou as costas para uma vida consolidada. Agora, arruinada, ou, pelo menos, eternamente marcada por esta ferida".


3) Letícia Castro, jornalista, do blog Babel Ponto Com e Master New Media - Brasil:


"Sou mulher, tenho 35 anos e sou absolutamente a favor do aborto quando a gestação envolve risco de vida para a mãe ou é oriunda de abuso sexual. Quanto ao caso específico da garota de nove anos, antes de mais nada, quero deixar minha opinião (e a repito perante qualquer pessoa e em qualquer lugar) sobre a punição mais adequada para estupradores: um estuprador deve, sem exceção, ser empalado até a morte em praça pública. Ponto. Em relação ao caso, não há o que dizer. É uma dessas situações absurdas, surreais dentro de uma sociedade civilizada e moderna. A igreja anda precisando chamar a atenção e usar uma garotinha vítima de uma barbárie para isso explica muito em que pé anda o catolicismo nos dias de hoje (o que não é diferente do pé em que sempre se apoiou ao longo da história: inquisição, etc. etc). O que surpreende é a repercussão em torno do assunto. Decisões como essa (de tentar impedir o aborto da criança, excomungar todo mundo, etc) devem ser ignoradas pela lei. A igreja está submetida à lei e não o contrário".


4) Erich Pontoldio, do blog 30 e poucos anos:


"Excomungar é o ato de EXPULSAR alguém da religião Católica. Minha questão é: será que a menina, a família dela e a equipe médica que realizou o aborto estavam preocupados com as missas de domingo que vão perder depois da excomunhão? Ou será que era a integridade física da menina de nove anos, que poderia morrer, caso levasse a gravidez adiante? Onde fica o bom senso neste caso? A igreja iria autorizar o batismo da criança sendo a mãe menor de 10 anos de idade, mãe solteira e vítima de uma violência? A Igreja Católica excomungou o maníaco do parque que atacou e estuprou várias mulheres em São Paulo ? Excomungou algum político que desviou dinheiro público deixando hospitais em situações críticas com pessoas morrendo pelos corredores ? É por isso que digo que sou a favor da vida...sou PRÓ-VIDA!!!!"



"Sinceramente, acho que o aborto deveria ser legalizado, sim. Ele sendo ilegal, coloca em risco as vidas de milhares de mulheres que todos os anos abortam clandestinamente. Se fosse legalizado, elas fariam o procedimento em hospitais, com toda o amparo médico. O problema quanto à legalização do aborto é que ele passaria a ser utilizado como método anticoncepcional, o que eu acho que não seja benéfico. Quanto a posição da Igreja, vejo esse episódio como mais uma prova do atraso e da incoerência da instituição. Afinal, qualquer pessoa de bom senso, até mesmo Jesus Cristo, se estivesse vivo nos dias de hoje, diria que permitir a gravidez de uma menina de 1.36m e 36kg é um risco desnecessário para sua vida e dos filhos dela".


6) Rodrigo Piva, do site Curiosando:


"Sou católico, de família católica por parte de pai e mãe. Porém, sou a favor do aborto. Aliás, o aborto é "legalizado" para quem tem dinheiro, haja vista uma reportagem recente publicada pela revista Veja em que médicos renomados admitiram que fizeram ou acompanharam pacientes que decidiram abortar, seja por questões financeiras — sem condição para criar o filho — seja por outras questões, como fim de casamento, etc. Os pobres recorrem aos 'açougues da vida' e muitos morrem. Outros — a maioria — têm a criança sem a mínima condição de criar o que acarreta em abandono, maus tratos, exploração sexual e assim por diante. Creio que somente a mãe sabe o que é melhor para si. O caso desta menina de nove anos é a prova que a Igreja Católica parou no tempo, mais precisamente na idade da pedra, ao cometer esse ato repugnante de excomungar mãe, médicos, família e a própria menina que sofreu a violência inaceitável. E pergunto: excomungou também o estuprador? É a volta da famosa e infeliz frase de Paulo Maluf: estupra, mas não mata".


7) Douglas Teixeira, do blog Proud Brasil:

"Todos nós nos surpreendemos com a atitude radical e intolerante da Igreja, neste polêmico caso de estupro, aborto e excomunhão. Mas não deveríamos. Afinal, conhecemos a Igreja a um longo tempo e já deveríamos saber que para manter as suas convicções ela é capaz de tudo! Mesmo que este tudo resulte no aumento do número de infectados por HIV, já que proíbem o uso do preservativo; Na proliferação do preconceito, violência e intolerância contra os homossexuais, já que, segundo a Bíblia, eles vão para o Inferno. E mesmo que uma criança inocente tenha sua vida e seu futuro posto em risco, a Igreja é irredutível, apenas para não se contradizer.


8) Karina Castro, jornalista, do blog Divã da Notícia:

"Eu não sou a favor do aborto porque acredito que é mais inteligente prevenir que remediar. Contudo, em casos de estupro, é a solução mais humana. Não pode-se exigir que uma mulher vítima de violência sexual passe nove meses remoendo lembranças e ainda conceba o fruto do trauma. No caso da menina de Pernambuco eu não pensaria duas vezes para indicar o aborto. Trata-se de uma menina que não tem estrutura física, psicológica, nem econômica para ter duas crianças. Além disso, pensem na mãe dela: a mulher foi traída pelo marido, teve a filha abusada e de brinde ganhou dois netos. É pesado demais! O bom senso tem que prevalecer. Ao invés de buscar uma solução para a crescente prostituição de adolescentes e jovens no Estado de Pernambuco, ou mesmo ajudar os pobres que não tem nem o que comer, o bispo chamou a imprensa para aparecer. Certamente, é mais importante excomungar do que ajudar o próximo! É por isso que a tão sagrada religião católica tem perdido espaço para os evangélicos que apesar de serem radicais na maioria dos casos, são mais humanos, admitem que erram e não se intitulam santos. Temos que acabar com a hipocrisia!"






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sexta-feira, 6 de março de 2009

O show da notícia e os critérios de noticiabilidade


A notícia é um organização de conteúdo informativo para um determinado veículo e que segue orientações que vão de critérios previamente decididos pelo meio de comunicação, pelo produtor dessa notícia e o público consumidor dessa produção. Dentre os vários acontecimentos que podem virar notícia, a seleção deles é uma tarefa que prima pelos critérios de noticiabilidade utilizados em cada mídia, seja ela TV, rádio, revista, jornal, blog ou site. Mário Erbolato e Mauro Wolf, dois pesquisadores em Ciências da Comunicação, muito conhecidos no meio acadêmico por publicarem livros e artigos sobre Teoria da Comunicação, dão amplo destaque aos critérios de noticiabilidade na produção noticiosa em suas obras, por meio de postura reflexiva e científica - o que é uma dica de leitura obrigatória para todos que produzem conteúdo, tanto de forma amadora ou profissional.

No último post do Café com Notícias, intitulado de Jornalismo se aproxima do drama na hora de noticiar, muitos leitores do blog, na parte de comentários, lançaram questionamentos a cerca dos critérios de noticiabilidade (veja o quadro, logo abaixo). Claro, isso é um tema que não só faz presente na vida dos jornalistas, mas dos leitores - e, principalmente, dos blogueiros que também produzem conteúdo. Wolf, um dos autores que mencionei acima, fala que para um fato e/ou acontecimento ser transformado em notícia este deverá ter impacto e utilidade para o público. O que ele quer dizer é que nem sempre uma tragédia ou um fait-divers (fato inusitado, à grosso modo), necessariamente podem virar uma notícia. A seleção noticiosa é algo que sege outros critérios, principalmente o seu impacto em relação à sociedade, pois em mídia eletrônica (TV, Rádio e Web), a tendência de falar para um público leigo e diverso, é muito maior.

O leitor Renan Barreto, neste post que mencionei, fez a seguinte pergunta, dentro do seu comentário: "o que é mais chamativo: carro desgovernado bate em mureta da ponte rio-niterói ou carro passou pela ponte sem mais problemas?". A minha resposta é que essa noticiabilidade do fato depende do veículo de comunicação em si, pois as duas manchetes podem ser chamativas ou não. Para o jornalismo hard news, viciado na sala de imprensa da Polícia Militar e/ou Bombeiros (local onde se publica sugestões de pauta da editoria policial), isso pode até ser. Mas, independente da proposta do veículo, cabe ao jornalista ir além do fato e pesquisar assuntos relacionados a ele para que a notícia alcance a atenção do público. O que quero dizer é que tudo pode virar notícia - mas que depende da proposta de cada mídia e da sagacidade do jornalista de ir além da notícia, pois grandes matérias sempre nascem através desse exércício.


Dessa modo, notícia (ou conteúdo informativo) pode ser qualquer assunto que desperte interesse do público. Qualquer assunto mesmo, sem distinção. O que vale para um fato e/ou acontecimento virarem notícia é o seu apelo perante o público consumidor desse conteúdo. Claro, tragédia chama atenção. Não vou ser hipócrita. Mas uma prestação de serviço, uma dica que poucos conhecem, uma reflexão sobre um determinado assunto, um ato altruísta ou uma interessante seleção de fotos/imagens também podem virar um conteúdo que chame atenção do púiblico.

O trabalho de selecionar assuntos, é tão importante quando o de produzir. Acompanhar portais de notícia, ler blogs, participar de redes sociais, ler revistas, jornais, acompanhar outros programas de rádio e TV, conversar com os populares na rua, ouvir sugestões do público, observar os assuntos que estão em destaque nas principais rodas de conversa dos seus amigos. Tudo isso é importante na hora de marcar um assunto como noticiável, pois a notícia só ganha ascenção se ela for de interesse social e ter o seu caráter de novidade. De uma forma ou de outra, o público também é responsável pelo conteúdo que elege como popular (ou sucesso). Na nutrição, há um ditado que fala que somos aquilos que comemos. Adaptando para a Comunicação, a mídia produz aquilo que o público quer ver.



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